FABIO MOTTA/ESTADÃO/DIVULGAÇÃO
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Corrente no WhatsApp reúne artigos da imprensa estrangeira que criticam Bolsonaro

Lista traz artigos de publicações na Alemanha, Argentina, África do Sul, Áustria, Austrália, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Itália, México, Moçambique, Peru, Portugal, Polônia, Catar, Reino Unido e Suíça

Ana Beatriz Assam e Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2018 | 17h53

Críticos do candidato do PSL à Presidência nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, reuniram os principais artigos sobre o deputado que têm sido feitos pela imprensa internacional em uma tentativa de convencer eleitores e indecisos a não votar no capitão reformado. A lista traz artigos de publicações na Alemanha, Argentina, África do Sul, Áustria, Austrália, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Itália, México, Moçambique, Peru, Portugal, Polônia, Catar, Reino Unido e Suíça

Nos textos, alguns de publicações importantes no cenário mundial, como Clarín,  Der Spiegel, The Guardian, The Economist, Corriere della Sera, Le Figaro e The New York Times qualificam Bolsonaro como militarista, xenófobo, populista de direita, "Trump dos trópicos". Eles também alertam para uma "tentação autoritária e retorno a dias sombrios caso o candidato do PSL vença a eleição. 

" Bolsonaro ganhou espaço na preferência do eleitor em uma disputa com muitos candidatos. Um populista de direita, ele defendeu a deplorável ditadura militar que governou o País entre 1964 e 1985 e justificou o uso da tortura", escreveu o New York Times

A revista britânica The Economist, que dedicou a capa de uma edição recente ao candidato, afirmou que as propostas de Bolsonaro para o Brasil são "brutais". "Ele acredita que um policial que não mata não é um policial e quer reduzir a idade penal para 14 anos, medidas de linha dura que pertencem a uma visão de mundo autoritária", diz a publicação.  

O Guardian, outro diário do Reino Unido, lembrou os elogios feitos por Bolsonaro ao ditador chileno Augusto Pinochet e sua defesa da ditadura militar. 

O argentino Clarín lembrou da proposta que prevê a facilitação do acesso a armas de fogo no Brasil. "Em um país onde há 60.000 assassinatos por ano, promove uma legislação para que as pessoas possam ter fácil acesso às armas. Assim, diz Bolsonaro, o homem comum poderá exercer seu “direito à defesa”, diz o jornal.

No México, o El Universal lembra que a vitória de Bolsonaro pode marcar um retorno de um militar ao poder no Brasil pela primeira vez desde o fim da ditadura. 

Na Itália, enquanto o Corriere della Sera chama Bolsonaro de pesadelo, o La Repubblica afirma  que o capitão reformado é "o homem vindo do nada que pretende se tornar o próximo presidente do Brasil", com "slogans eficazes que lhe renderam mais apoio do que crítica". 

Amigo de militares, apoiador da ditadura, favorável ao uso de armas, inimigo de gays é conhecido por suas frases xenófobas e racistas, que "na incerteza que domina as eleições mais importantes do Brasil também pode se tornar o Messias que todo mundo está esperando”.

Na França, o Le Figaro diz que a campanha do militar seduz um a cada cinco brasileiros, cansados da corrupção política, da violência nas ruas e da interminável crise com o desemprego em massa. A publicação ainda afirma que o capitão gosta de se comparar a Donald Trump e que nunca brilhou nem no quartel nem na Câmara dos Deputados, a não ser por provocações e discursos preconceituosos.

O Le Monde coloca Bolsonaro como um "patriota" que ganhou atenção defendendo Deus, a família e falando do golpe militar de 1964 como uma "revolução democrática". O jornal ainda destaca a carreira política insignificante do deputado federal, afirmando que durante 27 anos no Congresso, o candidato era apenas um político conhecido por suas ofensas verbais do que por seu ativismo parlamentar. 

O Libération afirma que "racista, homofóbico e sexista, este capitão nostálgico da ditadura tira proveito do descrédito que pesa sobre a classe política brasileira" e que Bolsonaro pode liquidar a democracia, caso eleito. O jornal ainda aponta que o candidato do PSL quadruplicou suas intenções de votos nos últimos dez anos, alimentando-se do ódio ao PT. 

 

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