Corregedora jogou gasolina na fogueira, diz presidente da AMB

Para presidente da AMB, Eliana Calmon, ao usar a frase 'bandidos de toga', causou 'convulsão' e deu munição para críticos

TERESINA, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h04

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nélson Calandra, conduz a reação implacável à ofensiva da corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon, que avança sobre malfeitos dos tribunais.

Na noite de quinta feira, na abertura do 90.º encontro do Colégio Nacional dos Presidentes de Tribunais de Justiça, em Teresina, ele afirmou que o Supremo é aviltado sistematicamente. Enfático, voltou-se a seus pares e ao governador do Piauí Wilson Martins (PSB), à mesa de honra, e disse: "Estamos vivendo no Brasil, senhor governador, um momento onde aqueles que deveriam zelar e velar pelas garantias constitucionais brasileiras muitas vezes assumem posição de afrontar. O Supremo tem sido sistematicamente afrontado".

Para Calandra, quando falou em "bandidos de toga", Eliana Calmon involuntariamente "causou enorme convulsão no seio da magistratura". Ele supõe que Calmon, "tolamente", serviu de amparo para réus do mensalão, agora, quase na véspera do julgamento. "Alguém pegou uma bobagem que a Eliana fez, uma brasinha, e jogou gasolina. O objetivo é atacar o Supremo mesmo. Eu nunca vi a OAB fazer manifestação contra o Supremo na minha vida. Embaraça o Supremo, joga um bando de abelhas para picar todo mundo. Os caras (ministros) têm que se defender, ao invés de sentar e estudar o processo de 100 mil páginas. Cada um dos onze (ministros) tem de ler todos esses volumes, preparar o seu voto. Aí leva para a prescrição. A meta é desprestigiar o Supremo. Qual seja o veredicto, politicamente o cara pode justificar: 'Está vendo, esse tribunal é que me condenou'. Desqualifica qualquer condenação. Intimidar um ministro do Supremo é difícil, mas quem gosta de ser atacado na sua honra?", concluiu Calandra.

A corregedora Eliana Calmon, procurada pelo Estado, não quis se manifestar sobre as opiniões dos colegas.

Segundo Calandra, a "frase infeliz de uma colega" abalou as estruturas da República e da democracia brasileira. "Exatamente num momento em que o Supremo vai julgar o processo mais complexo da história da Justiça criminal brasileira. Alvos, o ministro Joaquim Barbosa, relator, o ministro Henrique Ricardo Lewandowski, revisor, e o ministro Cezar Peluso, o presidente."

Apocalíptico, o desembargador Edvaldo Pereira de Moura observa: "Diante desse desafiador impasse surge a imperiosa necessidade, após aprofundamento da reflexão, de encontrar um ponto de equilíbrio que concilie os legítimos interesses do Judiciário, da magistratura, a responsável atuação do CNJ e a impostergável autoridade do Supremo, sem as quais não se construirão a paz e o progresso almejado por todos nós e daqueles que dependem desse Brasil gigante".

Segundo ele, não se pode negar "a existência de um número bastante reduzido de pessoas que conspurcam a imagem do Judiciário". "Pela atuação e pelo desvio de conduta fazem com que o Judiciário tenha sua imagem distorcida." / F.M.

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