O Estado de S.Paulo

08 de março de 2012 | 03h08

A presidente Dilma Rousseff fará um "intensivão" de política nos próximos dias. Para acalmar o PMDB - que apresentou manifesto com críticas ao governo e ao PT - e também os outros partidos aliados, Dilma já começou a passar "mercúrio cromo" nas feridas da coalizão governista, como aconselhou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e na terça-feira irá ao Congresso.

O motivo oficial da ida de Dilma à sessão solene do Congresso é a homenagem ao Dia Internacional da Mulher. No plenário do Senado, ela receberá o prêmio Bertha Lutz no mesmo dia em que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, comparecerá à Comissão de Assuntos Econômicos. Lá, Mantega será questionado sobre o pífio crescimento da economia e a crise no Banco do Brasil.

A visita da presidente ao Congresso, porém, tem um significado que ultrapassa as efemérides. É, na prática, um sinal de que ela pretende inaugurar nova temporada de conversas políticas, mesmo a contragosto. Na noite de ontem, por exemplo, Dilma ficou furiosa ao saber que os senadores, principalmente os do PMDB, rejeitaram a recondução de Bernardo Figueiredo para a presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e mandou segurar a negociação em curso para liberar agora as emendas parlamentares.

Foi a resposta à derrota, mas, a partir da semana que vem, Dilma seguirá o script acertado com Lula: promoverá reuniões com as bancadas governistas e terá olhar mais atento à partilha dos cargos. O Planalto também está preocupado com a ausência de aliados na campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura.

As últimas movimentações do PMDB deixaram sequelas. Petistas dizem que o partido não tem do que reclamar, pois controla vários postos, como as superintendências da Funasa nos Estados."Perdemos dois ministérios, levamos uma invertida e ainda somos acusados de brigar por mais espaço?", protestou o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT.

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