Coronel Ustra vira peça importante em apurações

Nos ofícios e relatórios que circulam entre procuradores do Ministério Público Federal em São Paulo, um dos nomes mais destacados é o do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ele comandou o DOI-Codi do 2.º Exército entre 1969 e 1973, os anos mais duros da repressão na ditadura militar, e aparece com frequência em depoimentos de ex-presos políticos sobre casos de desaparecimento de opositores políticos do regime.

O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h04

Isso tem ocorrido desde o início da abertura política. O coronel reformado já enfrentou em diferentes momentos acusações de tortura e chegou a ser processado. Em nenhum caso, porém, houve condenação.

A defesa do coronel tem recorrido à Lei da Anistia e à negação. Seu defensor, advogado Paulo Esteves, alega que o fato de ele ter chefiado o DOI-Codi não significa que tenha participado de violências, como a tortura.

Ustra aparece no caso de Aluízio Ferreira, que tem sido objeto de análise pelos procuradores. O coronel reformado estava na chefia do DOI-Codi quando o ex-sindicalista e militante da organização de esquerda Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foi preso e levado às dependências daquela organização militar.

Edgard de Aquino Duarte, que esteve preso durante três anos, antes de ser dado como desaparecido, também passou pelo DOI-Codi. Mas o seu desaparecimento ocorreu no DOPS-SP, que era controlado pela polícia civil do Estado.

A ex-presa política Maria Amélia Teles, que foi chamada recentemente a depor no MPF, disse aos procuradores que viu Duarte no DOPS. "Ele anunciou repetidas vezes que seria assassinado", conta.

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