Conversa com PSDB chegou ao fim, diz Kassab

Prefeito confirma proposta formal ao PT; Meirelles, ex-presidente do BC, endossa aliança

FELIPE FRAZÃO, FERNANDO GALLO, JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2012 | 03h05

Ao falar em conversas "encerradas" com o PSDB, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), declarou ontem que fará uma proposta formal de aliança com o PT na eleição para a Prefeitura de São Paulo.

A oferta de coligação com os petistas foi chancelada por Henrique Meirelles (PSD), ex-presidente do Banco Central no governo Lula.

"A partir de hoje, iniciamos formalmente as propostas ao PT, caso o PT queira", disse Kassab ao Estado, após se reunir com os dirigentes do PSD na capital. "Eu sempre manifestei que tenho simpatia pelo candidato do presidente Lula e do PT", declarou Meirelles ao sair do encontro.

Apesar da sinalização ao PT e de integrantes do PSD apontarem a aliança com os petistas como o foco principal na eleição, Kassab afirmou ainda ser "prioridade" lançar a candidatura própria, com o vice-governador Guilherme Afif Domingos na cabeça de chapa.

Ontem ele disse que Afif deu "sinal verde" para a sua candidatura - ele resistia entrar na disputa sem o apoio do PSDB. "Guilherme tem motivação para ser (candidato). Não postula, mas aceita a missão. Deu sinal verde", afirmou o prefeito.

Reação tucana. O anúncio de que Kassab formalizaria ontem uma proposta de aliança com o PT, antecipado pelo Estado, provocou a reação do Palácio dos Bandeirantes. Preocupado com a possibilidade de o prefeito migrar para o polo petista, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) convocou tucanos e pediu total empenho para mantê-lo na atual aliança.

Alckmin gostaria que o ex-governador José Serra fosse o candidato do partido, trazendo, assim, o PSD. "Nessas eleições, ele não será candidato. Assim ele definiu", sentenciou ontem Kassab sobre a entrada de José Serra na disputa. "Com o PSDB já conversamos, e eles já sabem da nossa posição. Essa conversa está encerrada e aguardamos a manifestação do PSDB", disse o prefeito, que logo contemporizou: "As coisas (as conversas com os tucanos) podem correr em paralelo".

O secretário-chefe da Casa Civil, Sidney Beraldo, encontrou-se com o prefeito no final da semana passada para manifestar a intenção do PSDB de mantê-lo como aliado. Na conversa, Kassab disse que as portas continuavam abertas.

PSDB e PSD encontram-se num impasse. Kassab só aceita a composição com os tucanos se a cabeça de chapa ficar com Afif. Alckmin quer que seu partido tenha candidato próprio.

"Ficou claro que independentemente do trabalho que existe de manutenção da aliança com o PSDB e no sentido de sensibilizá-los para que possam apoiar Afif, também temos que examinar outras alternativas", completou Kassab, numa referência indireta ao PT.

O prefeito voltou a elogiar Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e candidato do PT. "A cidade ganha com o PT tendo Haddad como candidato. Se estivermos ao seu lado, saberemos compor um programa de governo que seja o ideal", disse o prefeito. "Se não estivermos, ganha a democracia, estando o nosso candidato, Afif, de um lado, Haddad de outro, e outros candidatos, que vão somar para realizar um bom debate."

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