NELSON ANTOINE | ESTADÃO CONTEÚDO
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Convenções inauguram disputas de 2016 e 2018

Haddad, Doria, Russomanno e Erundina oficializam neste domingo candidaturas em São Paulo

Pedro Venceslau Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2016 | 17h13

Após um semestre no qual todas as atenções estiveram voltadas para a crise política e econômica, a eleição da maior cidade do Brasil entra em cena neste domingo, 24, com a realização das convenções partidárias que oficializarão os primeiros quatro candidatos à Prefeitura de São Paulo.

Com a retaguarda de duas máquinas, a Prefeitura e o Palácio dos Bandeirantes, o prefeito Fernando Haddad (PT) e o empresário João Doria (PSDB) pretendem usar os eventos, que na prática são mera formalidade, para demonstrar força política nacional em uma disputa regional que deve ser fragmentada.

Eles se apresentarão aos eleitores ladeados por seus padrinhos políticos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, respectivamente.

Diante de um cenário de incertezas na economia, partidos políticos fragilizados e na iminência da votação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no Senado, Doria e Haddad representam projetos nacionais de poder.

O tucano não esconde que sua campanha é a porta de entrada de Alckmin na disputa pelo Palácio do Planalto em 2018. Para viabilizar a candidatura de Doria, o governador antecipou uma disputa fratricida no PSDB e enfrentou abertamente caciques como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o ex-governador Alberto Goldman. Esse grupo de “fundadores” do partido apoiou a pré-candidatura de Andrea Matarazzo que, uma vez derrotado, migrou para o PSD.

“A eleição será um debate local, mas seu resultado começará a preparar as novas forças para as disputas nacional e estadual de 2018”, afirma o coordenador da campanha de Doria, Júlio Semeghini.

Para compensar a ausência de alguns dos principais quadros do partido na convenção de Doria, Alckmin convocou governadores e ministros tucanos, além de parlamentares e dirigentes das 12 legendas que compõem a coalizão de Doria, que será a maior da campanha. Essa grande aliança, que foi costurada diretamente pelo governador de São Paulo, garantirá ao empresário o maior tempo de TV no horário eleitoral gratuito de rádio e TV.

Sobrevivência. A avaliação no PT é a de que a reeleição de Haddad representa a sobrevivência do partido. Não por acaso, a campanha na capital paulista foi escolhida, por meio de uma resolução, como prioridade.

Para o deputado Paulo Teixeira, vice-presidente nacional do PT e tesoureiro da campanha de Haddad, a disputa será o carro-chefe para reposicionar o partido no cenário político nacional. “A campanha em São Paulo é prioritária porque vai contornar a crise que o partido está vivendo e certamente vai inaugurar um novo patamar, qualquer que seja ele”, afirmou. “Será uma batalha pelo resgate da política e do envolvimento das pessoas em torno dela.”

Segundo Teixeira, Lula deverá participar ativamente das ações de rua em São Paulo. Além de Lula, foram convidados o ex-ministro Ciro Gomes e o presidente do PDT, Carlos Lupi, além de lideranças sindicais.

Última hora. Líder nas pesquisas de intenção de voto, o deputado Celso Russomanno (PRB) pretende apresentar na sua convenção de domingo pelo menos mais um partido em seu palanque, o PSC, que desistiu da candidatura do Pastor Marco Feliciano. Em 2012, Russomanno teve o apoio de quatro legendas – PTB, PTdoB, PRP e PHS.

O isolamento de Russomanno se deve à possibilidade de sua candidatura ser cassada por causa de condenação pelo crime de peculato. Russomanno foi condenado em 2014 a dois anos e dois meses de prisão. Ele recorreu da decisão, mas, quando assumiu o mandato na Câmara, em 2015, o processo foi remetido ao Supremo Tribunal Federal. “Não trabalhamos com esse cenário. Nada vai impedir a sua candidatura”, diz Aildo Rodrigues, presidente do PRB.

A quarta convenção deste domingo é a da deputada Luiza Erundina (PSOL). Com discurso de crítica à gestão Temer, ela tenta “roubar” votos de eleitores de esquerda que votam no PT. Marta Suplicy (PMDB) e Matarazzo farão convenções na próxima semana.

 

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