Estevão Galvão/Assessoria do Marcio Lacerda
Estevão Galvão/Assessoria do Marcio Lacerda

Após confusão, Marcio Lacerda é lançado ao governo de Minas Gerais

Deputado Júlio Delgado e presidente do partido, Renê Vilela, foram hostilizados quando pretendiam ler nota para anular a convenção

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2018 | 09h56

BELO HORIZONTE - Após muita confusão durante a convenção estadual do PSB, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, foi lançado como candidato ao governo de Minas Gerais. Com a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de validar a convenção do diretório, delegados do partido e apoiadores do deputado federal Júlio Delgado, uma das principais lideranças da sigla, entraram em confronto na reunião, realizada neste sábado, 4.

A confusão começou quando Júlio Delgado e o novo presidente do partido, Renê Vilela, chegaram à convenção. Sob gritos de "golpista" e "traidor", o deputado foi hostilizado. Delgado e Vilela pretendiam ler uma nota da direção nacional do partido que anulava a convenção. A orientação da Executiva Nacional se baseava em uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que confirmava a dissolução do antigo diretório do PSB em Minas

Em função da decisão do TSE, nós estamos considerando essa convenção nula, ela não tem validade”, disse Delgado. Vilela afirmou que uma nova convenção estaria marcada para o domingo, 5, pois foram encontradas irregularidades nas inscrições dos diretórios municipais e que a conveção deste sábado era um "faz de conta”. Na madrugada de, 3, o TRE concedeu uma tutela de urgência para uma ação de Lacerda, que suspendia “todo e qualquer efeito do ato de destituição da Comissão Provisória do PSB, no Estado de Minas Gerais, até o julgamento final da lide, ou revisão”. O juiz Nicolau Lupianhes, relator do processo no TRE, ainda fixou uma multa diária de R$ 30 mil, no caso de descumprimento da decisão.

No entanto, após essa decisão, o TSE emitiu uma decisão que confirmava a dissolução do partido. No entanto, o advogado de Marcio Lacerda, João Sad Jr, explicou que a argumentação do tribunal eleitoral era contra uma outra ação movida pelo ex-prefeito e que ela não sobrepunha o que havia sido determinado pelo TRE.

Marcio Lacerda disse que o ocorrido foi uma “selvageria” e “um ato de loucura e desespero”. O ex-prefeito de Belo Horizonte só compareceu no local da convenção, um hotel na região centro-sul da capital mineira, após a confusão ter sido amenizada, e pediu que continuassem apoiando a sua candidatura. “Vocês acabam de viver um momento histórico em Minas Gerais. Vieram aqui me ajudar a resistir a uma investida no porão da velha política”, declarou para seus apoiadores.  

“Foi uma convenção totalmente legítima, a realização foi garantido por uma liminar. A nossa luta é política, dentro do processo democrático”, disse o ex-prefeito de Belo Horizonte, que voltou a dizer que pode entrar na justiça para assegurar a candidatura. Lacerda explicou que não houve nenhum desrespeito às diretrizes ou ao estatuto do partido, e portanto, não haveria justificativa para retirar sua candidatura nem para dissolver o diretório mineiro.

Lacerda também declarou que estará na convenção nacional do PSB, neste domingo, 4, em Brasília. O ex-prefeito da capital mineira disse que pode até “caminhar sozinho”, caso os partidos que haviam declarado apoio a ele - PDT, PROS já haviam anunciado o apoio e o PV e o Podemos estavam bastante próximos de fechar uma coligação -, se recusem a insistir na candidatura. Aliados de Marcio Lacerda disseram que estudarão a possibilidade de homologar a candidatura do ex-prefeito ainda neste sábado.

O diretório mineiro do PSB foi dissolvido na noite da última quinta-feira pelo presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, que alegou que a direção estadual não respeitou as diretrizes nacionais da legenda, que consistia em priorizar a eleição de uma bancada de deputados federais e estaduais. Já Lacerda afirmou que previa eleger até quatro deputados federais. Delegados do partido também pediam anulação do acordo entre PT e PSB, que fez com que os pessebistas retirassem a candidatura de Lacerda para apoiar a tentativa de reeleição do governador Fernando Pimentel (PT), enquanto no Pernambuco, Marília Arraes (PT) foi rifada para apoiar a candidatura de Paulo Câmara (PSB).

Agressões. Em diversos momentos da convenção, militantes pessebistas trocaram socos e empurrões em diversos momentos e a confusão durou cerca de 40 minutos. Duas mulheres teriam sido agredidas pelo deputado federal Júlio Delgado, que negou. O parlamentar disse que não agrediu ninguém, e que as agressões durante a confusão foram de todos os lados.

Uma funcionária do partido diz ter sido uma das agredidas e afirmou que estuda entrar com processo contra o deputado. O partido também analisa a possibilidade de processar pessoas próximas a Delgado pelo dano ao material sonográfico, que pertence ao diretório estadual. O deputado federal também chegou a dizer que haviam pessoas com armas de fogo na convenção. Procurada pela reportagem, a Polícia Militar confirmou que foi acionada, mas não encontrou nenhuma arma no local e ninguém foi detido.

Futuro.  A confusão deixou exposta a divisão interna do PSB. Questionado sobre o futuro na legenda, Marcio Lacerda declarou que só decidirá a continuidade no partido no futuro. “Eu lamentei que o partido está jogando na lama a oportunidade de se firmar como uma autoridade política e ideológica de uma forma absolutamente suicida”, afirmou.

Já Júlio Delgado disse que estava bastante tranquilo sobre a permanência na legenda. “Quem é da origem desse partido sou eu, não são eles não. Eu vim para o partido convidado por Miguel Arraes e Eduardo Campos. Eu não fui convidado pelo Pimentel e pelo Aécio, como o Marcio foi”, declarou.

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