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Controladoria do município investiga entrega de cestas básicas ao lado de carro com jingle de Covas

Veículo com música do tucano foi filmado próximo a fila de beneficiários de doação na zona norte; campanha diz que não tem nada a ver com distribuição

Victor Pereira, especial para o 'Estadão', Pedro Venceslau e Bianca Gomes, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2020 | 23h37
Atualizado 28 de novembro de 2020 | 02h45

A Controladoria Geral do Município (CGM) abriu sindicância para investigar a participação de carros de som com propaganda do prefeito Bruno Covas (PSDB) próximo a um local de distribuição de cestas básicas na Brasilândia, na Zona Norte da cidade.

Um vídeo que circula pelas redes sociais nesta quinta-feira, 26, mostra um carro de som adesivado e tocando o jingle da campanha do candidato tucano à reeleição na Rua Raulino Galdino da Silva. A poucos metros dali, era feita uma distribuição de cestas, pelo Movimento Social Beneficente (Mosobe).

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que a distribuição de cestas faz parte do Programa Cidade Solidária, instituído no início da pandemia. Moradores da região, no entanto, afirmaram ao Estadão que a entidade sempre distribuiu leite duas vezes por semana, mas essa foi a primeira vez que doou cestas básicas.

"Todas as entidades parceiras assinaram um termo de adesão com a Prefeitura de São Paulo se comprometendo a executar a distribuição das cestas respeitando integralmente às recomendações do Ministério Público Eleitoral. Qualquer ação por parte das entidades que não tenha respeitado a recomendação descumpre o acordo estabelecido no termo de adesão e será apurada", diz a Prefeitura.

Em entrevista ao Estadão, o diretor da Mosobe, Emilson Almeida da Silva, confirmou que a organização distribuiu cestas básicas nesta quinta, mas negou irregularidades. De acordo com Silva, a associação entregou kits para mais de 400 beneficiários do programa VivaLeite, do Governo do Estado de São Paulo. Ele argumenta que o carro de som que reproduz música de campanha de Bruno Covas no vídeo era de um dos cadastrados na iniciativa que parou para recolher sua cesta básica. “É a sétima vez que entregamos cestas básicas neste ano”, pontuou.

O diretor da entidade, que integra a rede PSDB na Brasilândia, garantiu que a Mosobe é apartidária e negou a existência de ligações do evento com a campanha do atual prefeito. “Estão dizendo que estávamos entregando material de campanha, é mentira. Eu estava entregando uma senha, junto com uma folha informando o material que ia ser entregue e que a pessoa tinha que vir com máscara e trazer documentação, RG e CPF.”, disse Silva. 

Moradores do bairro afirmaram ao Estadão que a entidade sempre apoiou candidatos a vereador do PSDB. Este ano, a Mosobe teria feito campanha para a candidata Sandra Santana, que possui cartazes por toda a rua.

O autor do vídeo, que pediu para não ser identificado na reportagem, apresentou uma versão diferente do ocorrido. Segundo a fonte, o carro de som e outro veículo com o emblema da campanha de Bruno Covas estavam “o tempo todo ao lado de onde estavam sendo distribuídas as cestas”.

No Twitter, o candidato Guilherme Boulos, do PSOL, afirmou que sua campanha vai tomar medidas cabíveis sobre o episódio. “Centenas de pessoas entraram em contato para denunciar a distribuição de cestas básicas na periferia às vésperas da eleição em atividades de  campanha de Bruno Covas.”, afirmou.

A campanha de Covas disse, em nota, que não distribui cestas básicas. “É inadmissível que, há três dias das eleições, este tipo de conduta esteja sendo compartilhada."

Nesta sexta-feira, 27, Covas disse que pediu a investigação à CGM. "Em nenhum momento a campanha se utilizou dessa distribuição. Já determinei à Controladoria que investigue o que aconteceu na Brasilândia e quem são os responsáveis", disse Covas, após participar de uma caminhada no Rio Pequeno, Zona Oeste. 

O tucano também ressaltou que o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), ligado ao candidato Guilherme Boulos, faz parte do programa Cidade Solidária: uma parceria entre Prefeitura, entidades sociais e empresas para fornecer cestas básicas durante a pandemia. 

"Mais de 40 mil cestas foram distribuídas por entidades ligadas ao MTST e em nenhum momento fiz qualquer tipo de ilação", afirmou Covas.

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