Contraventor terá bens rastreados no exterior

Ministério da Justiça aciona autoridades de mais de cem países a fim de municiar com dados as Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal

ALANA RIZZO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h02

O Ministério da Justiça acionou autoridades de mais de cem países para rastrear bens de envolvidos nas Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal. Por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI), o governo brasileiro emitiu alerta nas redes de cooperação da qual faz parte em busca de contas bancárias e imóveis em nome dos acusados em território estrangeiro, entre eles Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

Inquérito da Polícia Federal aponta indícios de que o grupo mantinha imóveis no exterior, em especial em Miami (EUA), e usava contas em paraísos fiscais para lavar dinheiro. Em depoimento à CPI do Cachoeira, o delegado Matheus Mella Rodrigues confirmou o braço internacional da quadrilha.

Segundo as investigações, parte do dinheiro era transferida para contas no Caribe, EUA, Irlanda e Liechtenstein. O grupo também tinha um bingo registrado nas Ilhas Virgens Britânicas e contava com o apoio do argentino Roberto Coppola, sócio do contraventor. Escutas telefônicas e quebras de sigilo bancário mostraram ainda que a organização criminosa usava os serviços de doleiros e de casas de câmbio para comprar moedas estrangeiras, como dólar, euro e libra.

Emissão. O pedido de cooperação foi emitido ao Grupo de Ação Financeira da América do Sul contra Lavagem de Dinheiro e o Financiamento ao Terrorismo (Gafisud), formado por Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai. Também para a Star-Interpol (Stolen Assets Recovery), que conta com mais de cem países. Entre eles: Austrália, França, Luxemburgo, Noruega, Suíça e Suécia.

De acordo com o DRCI, a partir da identificação do patrimônio por esses países, a informação será repassada às autoridades brasileiras para que um pedido de indisponibilidade dos bens seja feito. Só após a sentença final do caso é que os valores podem ser repatriados ao Brasil.

O DRCI também encaminhou aos parlamentares da CPI um formulário para pedidos de cooperação jurídica internacional.

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