CONTRA SECA, DILMA PROMETE 'VALE-BODE'

Visita ao sertão alagoano também teve protesto

EDUARDO BRESCIANI, ENVIADO ESPECIAL, ÁGUA BRANCA (AL), O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h20

Em sua segunda visita ao Nordeste em menos de oito dias, a presidente Dilma Rousseff inaugurou ontem em Alagoas trecho de uma obra que leva água ao sertão e prometeu até cabras e vacas para agricultores que sofrem com a seca. A região costuma ter um eleitorado tradicionalmente petista, mas há o temor de que esses votos migrem para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), caso ele concorra ao Planalto em 2014.

A inauguração pela presidente dos dois primeiros trechos da obra do Canal do Sertão visa a minimizar os efeitos dos atrasos no cronograma da transposição do Rio São Francisco, que beneficiará quatro Estados e tem como prazo de entrega o ano de 2015. O projeto do Canal do Sertão prevê 250 quilômetros de extensão dentro de Alagoas. Até agora, 65 quilômetros foram entregues.

No evento, Dilma destacou ações emergenciais do governo para minimizar os efeitos de uma das secas mais rigorosas dos últimos anos e prometeu recompor o rebanho perdido por meio de um programa que será implementado após o fim da seca. "É um programa de retomada. Quando a seca passar, não basta chover, vai ter de recuperar rebanho, bode, cabra, bovino, galinhas. O governo federal está atento a isso. Não posso recuperar quando tem seca, porque vai morrer outra vez, mas quero assegurar ao pequeno produtor que teve sua cabrinha morta, seu boizinho, que o governo federal vai recompor isso", disse Dilma.

O modelo do programa não está definido. Também não se sabe de onde virá o dinheiro. Na semana passada, Dilma já tinha falado para integrantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) da necessidade de recuperar rebanhos por causa da seca.

A presidente destacou ainda a compra de milho subsidiado, o repasse de recursos por meio de dois programas federais e a contratação de carros-pipa para atender às áreas mais afetadas.

O ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), correligionário e aliado próximo de Eduardo Campos, fez um discurso recheado de elogios à presidente e defendeu a unidade das siglas que compõem a base aliada do governo federal.

Manifestação. As promessas da presidente aos nordestinos foram feitas com a trilha de sonora de apitos insistentes de um pequeno grupo de manifestantes que conseguiu chegar até o local do evento, no canteiro de obras da construtura Queiroz Galvão. Munidos de cartazes contra vários políticos, os participantes diziam não fazer parte de qualquer movimento político.

Apesar do esquema de segurança, eles questionavam qual seria o uso dado ao Canal do Sertão, reclamavam de promessas não cumpridas e alternavam os apitos com palavras de ordem contra Dilma e outros políticos presentes, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e o governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB).

Antes do evento, outro protesto fechou duas rodovias federais. Manifestantes cobram o asfaltamento de trecho de 49 km da BR-316. Em discurso, Dilma se comprometeu a levar adiante a obra. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

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