EVELSON DE FREITAS/Estadão
EVELSON DE FREITAS/Estadão

Contra crise, Padilha promete aumentar armazenamento de água

Candidato do PT ao governo paulista apresenta nesta sexta suas propostas para questão do abastecimento no Estado e diz que fará em quatro anos o que deveria ter sido feito há 20 anos

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

01 de agosto de 2014 | 09h31

São Paulo - O candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, apresenta nesta sexta-feira, 1º, suas propostas de governo para a questão hídrica no Estado. Entre os principais pontos do programa, está o aumento da capacidade de armazenamento de água e o combate ao desperdício. Sua eventual gestão, prometeu o candidato, fará em quatro anos as obras que deveriam ter sido feitas há duas décadas.

A apresentação será em um hotel no centro de São Paulo. O Coordenador do programa de governo petista, o presidente do comitê de Bacias Hidrográficas do Alto do Tietê e prefeito de Embu das Artes, Chico Brito adiantou ao Estado trechos da proposta. A questão hídrica deve estar entre os principais temas de debate nestas eleições.

Segundo ele, o programa do candidato petista se resume a cinco eixos: aumentar a capacidade de armazenamento de água, aumentar a interligação entre os sistemas, investir na preservação dos mananciais, evitar o desperdício e estimular o reúso. "Chegamos à saturação e não é por culpa na natureza, como diz o governo do Estado", disse.

Nessa semana, em razão do risco de colapso do sistema de abastecimento, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou que o governo Geraldo Alckmin (PSDB) implemente racionamento de água imediato nas regiões abastecidas pelo Cantareira. Na Grande São Paulo, 8,8 milhões dependem desse sistema. Alckmin é candidato à reeleição.

Para Chico Brito, o próximo governo deve investir em obras que garantam a segurança hídrica no estado para os próximos 20 anos, quando a macrorregião de São Paulo deve receber mais 6 milhões de habitantes. "Nova York tem uma reserva três vezes maior que seu consumo. Enquanto isso, o governo de São Paulo pede autorização para utilizar a segunda metade do volume morto", disse.

Brito afirma que a proposta petista prevê investimentos para reduzir a dependência da Grande São Paulo das águas oriundas o sistema Cantareira. Uma necessidade que, segundo ele, a Sabesp identificava já em 2007. Brito afirma que esta dependência era de 47,2% e, em 2013 a proporção "reduziu" para 47,1%. "Não foi feito nenhum grande obra para reduzir esta dependência. Se fosse feito, hoje seria de 20%, no máximo", disse.

A campanha petista propõe investimentos da ordem de R$ 2 bilhões em obras de construção de reservatórios e estações de tratamento para a ampliação da capacidade para do sistema de São Lourenço. São obras que a Sabesp já apontava em 2004 como necessárias e que deveriam estar prontas em 2012, segundo Brito. "Mas só este ano o governo do Estado iniciou o processo de desapropriação", disse.

De acordo ele, o governo já deveria ter realizado licenciamento ambiental para retirada de vegetação para uso completo da represa de Itaiçupeba, que trabalha com 1/3 da capacidade. A proposta de Padilha é investir cerca de 35 milhões no aumento da captação de água do Rio Pequeno para a Represa Billins para garantir 3,5 m³/seg de água a mais.

Além disso, o PT propõe investimentos na redução de perdas, com investimento na troca do encanamento entre a estação de tratamento e as casas dos consumidores. Segundo Chico Brito, em 1995, a Sabesp registrava perdas de 32,8%. Em 2013 essas perdas eram de 32,0%. "São bilhões de litros de água perdidos n caminho", disse.

Segundo ele, o governo tem trocado os canos de maneira paliativa, só quando há vazamentos. "Aí eles trocam os canos antigos pelos novos. Mas não mexem no que está antes nem depois".

Crédito e compensação. Outras propostas são a criação de linhas de crédito para pequenas e médias empresas para estimular o reúso da água. E estimular produtores rurais ao uso racional para a irrigação, como sistema de gotejamento.

Padilha propõe ainda a criar formas compensação financeira para municípios em áreas de mananciais. "São municípios pequenos, como São Lourenço e Juquitiba, por exemplo, que são mananciais importantes, mas que possuem orçamentos pequenos", disse Brito.

A ideia é que estes municípios sejam recompensados financeiramente para resolver problemas sociais, desenvolver atividades para gerar renda com proteção ambiental, com o ecoturismo e para a fiscalização, para evitar a ocupação irregular.

Além disso, a campanha propõe que sejam feitas campanhas permanentes para incentivar o uso racional da água e não só em momentos de crise.

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