'Continuo na campanha, nos sábados e domingos'

Marta promete manter ajuda a Haddad: 'Vai dar certo. Eu sou a pessoa que faz, Lula é deus e Dilma está bem avaliada'

Entrevista com

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2012 | 03h12

Na véspera de assumir o Ministério da Cultura, a petista Marta Suplicy prometeu ontem manter o engajamento na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Para ela, a tríade formada pela presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ela própria "vai dar certo" e levará o PT ao segundo turno. "Lula é deus, eu sou a pessoa que faz e Dilma é bem avaliada", afirmou, confiante em "recuperar votos de petistas e martistas" para Haddad.

Na despedida do Senado, Marta deixou a vice-presidência para outro petista, Anibal Diniz (AC) - que era suplente de Tião Viana, hoje governador do Acre. Além de homenageada pelos colegas, viu a Casa aprovar, após sua articulação, uma emenda constitucional que cria o Sistema Nacional de Cultura. "Já começo com um gol de placa", disse Marta, que escolheu um tailleur vermelho sangue e sapatos alvinegros, imitando couro de vaca, como figurino do último dia no Congresso.

Após assumir a Cultura, a sra. vai continuar a fazer campanha para Fernando Haddad?

Claro que sim. Aos sábados e domingos, como já venho fazendo. Eu sempre disse que eu ia entrar na campanha do Haddad na hora em que eu achasse que faria diferença. E fiz isso.

Sua entrada na campanha vai alavancar Haddad?

O trio é capaz de alavancar: a presidente Dilma, o Lula e eu. Eu, porque tenho o apelo de quem fez; eu sou a pessoa que faz. O Lula porque é um 'deus' e a presidente Dilma porque é bem avaliada. Então, com a entrada desse trio, vai dar certo.

Celso Russomanno lidera as pesquisas de intenção de voto. Haddad briga pela segunda posição com o tucano José Serra.

O Russomanno tem votos um pouco dele, de petistas, de martistas, de quem rejeita o Serra e de eleitores que não sabiam quem era Haddad e Chalita (Gabriel Chalita, do PMDB). Vou tentar recuperar os votos de petistas e martistas para o Haddad.

Depois de preterida pelo PT na disputa pela Prefeitura, a sra. se sente agora com a alma lavada?

Não escondi de ninguém que fiquei triste. Falei para o Haddad que primeiro ele tinha que gastar sola de sapato conhecendo a cidade. Mas sempre disse: na hora que eu achar que eu faço diferença, vou estar lá. E vi nas carreatas que já começou a fazer diferença.

A sra. assume um dos ministérios de menor orçamento. Vai lutar por mais verba para 2013?

O orçamento da Cultura teve um acréscimo substancial. Vou trabalhar com isso e tentar ampliar no Congresso, com emendas, e não pedindo para a presidente. Para começar, (o orçamento) está satisfatório.

O fato de a sra. ser política vai facilitar sua gestão?

Espero que ajude. Estou contente, é um desafio grande. Sempre inovei por onde passei. As marcas que existem em São Paulo fui eu que deixei. Tenho certeza de que vou deixar marca na Cultura, como deixei no Ministério do Turismo.

Havia muita insatisfação com a ex-ministra Ana de Hollanda.

Tenho uma vantagem: não pertenço a nenhum grupo nem milito na cultura. Estou aberta ao diálogo. Vou conversar com todos.

No último dia como senadora, a sra. viu aprovada a criação do Sistema Nacional de Cultura.

Já começo com um gol de placa. Esse fundo permite financiamentos mais ágeis para municípios e Estados. Quem me explicou foi a Ana, quando me pediu para relatar essa emenda.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.