Contatos com dirigente são institucionais, afirma Alckmin

Serra diz que conhece Alquéres, mas ressalta não ter mantido contato com ele na condição de presidente da Alstom

Fausto Macedo e Ricardo Chapola, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2013 | 02h14

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) informou ontem, por sua assessoria de imprensa, que conhece José Alquéres "na condição de presidente de uma multinacional com atuação no Estado de São Paulo". Afirma que os contatos com o engenheiro e com a multinacional, como numa visita à fábrica da Alstom em 2005, tiveram como objetivo, "assim como o de todas as suas ações na vida pública", "preservar ou ampliar empregos e trazer desenvolvimento para a população de São Paulo".

A assessoria enviou ao Estado por e-mail foto em que Alckmin e Alquéres aparecem ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento de 2005. "Prova o caráter público do evento, que marcou os 50 anos de atuação da empresa no Brasil", disseram os assessores.

A equipe de Alckmin não respondeu aos questionamentos sobre eventual participação do governador no processo de incorporação da Mafersa pela Alstom.

O ex-governador José Serra disse que não se recorda de ter sido procurado por Alquéres na condição de presidente da Alstom. "Eu o conheço, foi presidente da Associação Comercial do Rio, foi presidente da Light, um profissional de prestígio na engenharia. Notável executivo. Nunca tratei com ele como integrante de empresa privada."

Serra ponderou que a citação de Alquéres sobre a Mafersa "não bate". "O que eu soube dessa incorporação (Alstom/Mafersa) é que ela se deu muito antes do e-mail, nos anos 90." O tucano disse ainda que, se tivesse sido procurado, ele teria ajudado a recuperar a Mafersa. "Quero destacar que se tivesse sido procurado para ajudar a reativar uma empresa eu daria todo o apoio para estimular. Traz arrecadação e geração de empregos. Bom para todo mundo. Sempre me angustiei com a indústria pesada, esvaziada com as importações, com crise. Qualquer governador recebe empresas para geração de ICMS, tem a guerra fiscal. Atividade normal. Além disso, não é por aí que anda esse negócio de comissões. Impensável o Alquéres negociando comissões", afirmou. Serra disse também que a prefeitura não faz compra de trens, numa referência ao fato de, em 2004, na época do e-mail em questão, ter acabado de ser eleito prefeito de São Paulo. "Não poderia ter nenhum tipo de relação", disse.

O ex-presidente da Alstom no Brasil declarou que em 2004 havia a necessidade de ampliar a Alstom/Lapa para atender à encomenda do Metrô de Nova York. "Havia perspectiva de a unidade expandir, eu estava cobrando empenho de todos os diretores porque os negócios iam muito mal. Os negócios eram pequenos. Estávamos com muito pouco serviço no Brasil. Evidentemente, o grande mercado era São Paulo, Rio e Belo Horizonte. O Arthur Teixeira era de uma consultoria de marketing, fazia trabalhos de apoio, relação antiga. Uma pessoa de longa tradição como consultor."

Alquéres disse que, no e-mail interpretado pelo Ministério Público suíço como um indício de que havia pagamento de propina, fez uma "cobrança de ação". O ex-executivo da multinacional francesa afirmou ainda que "não se lembra" se a Alstom fechou os negócios que citou. "Saí em maio de 2006, ainda seriam lançados editais."

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