Contador de Cachoeira se entrega após quase 1 ano

Apontado como responsável pelo 'caixa' da quadrilha de jogos ilegais, Geovani Pereira da Silva disse que ficou escondido em chácara de Goiás

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA , RUBENS SANTOS / GOIÂNIA , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2013 | 02h03

Depois de dez meses e 15 dias escondido em uma chácara perto de Anápolis, a 65 quilômetros de Goiânia, o contador Geovani Pereira da Silva, último foragido do esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, entregou-se no início da madrugada de ontem à Polícia Federal. Tido como figura chave da Máfia dos Caça-Níqueis - administrava e distribuía o dinheiro dentro do grupo -, Pereira apresentou-se por volta de 0h30 na delegacia da PF em Anápolis, acompanhado do advogado Calisto Abdalla Neto. Ainda ontem ele foi levado para a sede da PF em Goiânia.

Condenado, no dia 8 de dezembro do ano passado, a 13 anos e 4 meses de prisão, o contador vinha negociando sua apresentação com policiais desde a semana passada. "Ele queria pôr fim a um pesadelo, de ser procurado pela policia, viver isolado e escondido em uma fazenda e não poder viver o dia a dia com sua mulher e os quatro filhos", disse o advogado Calisto Abdalla Neto - que já entrou com habeas corpus no Tribunal Regional Federal (TRF1). "Esperamos a liberação dele para esta terça-feira", disse o advogado ao Estado.

Sua prisão representa, na prática, o desfecho da Operação Monte Carlo, que a Polícia Federal desencadeou em 29 de fevereiro de 2012 e que levou à prisão de Cachoeira e de outras 80 pessoas em Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e Tocantins. Sob comando de Cachoeira, o grupo havia montado um esquema de tráfico de influência e exploração de jogos ilegais nesses quatro Estados. Cachoeira, condenado a 39 anos de prisão pela Justiça Federal de Goiás, obteve habeas corpus, casou-se no mês passado e continua em lua de mel.

Imediato. Homem de total confiança de Cachoeira, Giovani Pereira recebia, por seu papel no grupo, entre R$ 8 mil e R$ 10 mil por mês. Diálogos interceptados pela PF com autorização da Justiça, em março de 2011, entre Cláudio Abreu, diretor da Delta Construções, Cachoeira e outro integrante do grupo, Rodrigo Santos, revelam sua participação direta na destinação de R$ 1 milhão ao ex-senador Demóstenes Torres - depois cassado por seu envolvimento com o grupo. Demóstenes nega ter recebido o dinheiro.

Assustado. O local onde Pereira se escondia já tinha sido descoberto por dois agentes da PF. "A polícia não tinha certeza se era ele. Mesmo assim, ele seria preso a qualquer momento, disse o delegado Angelino Alves de Oliveira, da PF em Goiânia. Se permanecer preso, o contador deverá ser transferido para o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia (GO).

Aflito, Pereira temia pelo momento da prisão e o constrangimento de ser algemado. "Ele tremia dos pés à cabeça, e não conseguia falar, quando foi apresentado ao delegado na sede da PF em Anápolis", afirmou Calisto Abdalla Neto. Segundo o advogado, Pereira passou a maior do tempo assustado e arrependido por se manter escondido.

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