Consumidor confiante segura presidente em alta

Análise: José Roberto de Toledo

O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h02

A popularidade de Dilma Rousseff continua em alta em todos os segmentos socioeconômicos e regiões do País. A avaliação positiva da presidente e a boa expectativa quanto aos seus próximos dois anos de mandato superam em 55 pontos as opiniões e prognósticos negativos. Em nenhum extrato da sociedade - seja de renda, idade, escolaridade ou regional - a reprovação de Dilma supera 10 pontos.

O pior desempenho da presidente continua sendo nas áreas de saúde, cobrança de impostos e segurança. Na ponta oposta, o combate à pobreza, ao desemprego e a preservação do meio ambiente são os pontos mais positivos na percepção popular. Embora saúde e educação sempre apareçam como as prioridades politicamente corretas nas sondagens à população, é o bolso que decide.

A repetição dos resultados favoráveis a Dilma na pesquisa Ibope/CNI confirma, de novo, a forte correlação entre confiança do consumidor e popularidade presidencial. As duas andam de mãos dadas: sobem e descem juntas pelas vias da opinião pública.

O consumidor, também consultado em pesquisa Ibope/CNI, segue confiante que não vai perder o emprego, que sua renda melhorou nos últimos meses e tende a melhorar ainda mais. Essa combinação está no centro da popularidade de Dilma e supera até o noticiário negativo sobre o baixo crescimento da economia.

Em paralelo, mas com menos peso, as demissões sumárias de servidores públicos pegos com a boca na botija ajudam a fixar em Dilma a imagem de quem não compactua com malfeitos. Importa menos a verdade do que a verossimilhança. Assim, quando a presidente demite Rosemary Noronha - apesar de todas as insinuações de que a funcionária é próxima de Lula -, Dilma aparece bem na foto a despeito do cenário de horrores ao fundo.

A pesquisa só não pegou eventuais efeitos do noticiário sobre as denúncias de Marcos Valério contra Lula, pois as pessoas foram entrevistadas antes de o caso vir a público. Essa situação é nova. Dilma não pode se distanciar do denunciado porque pareceria traição. Fez o contrário do que costuma fazer e demonstrou solidariedade irrestrita ao padrinho.

A tática funciona enquanto as denúncias se limitarem às palavras de um condenado pela Justiça. O problema será se investigações posteriores corroborarem o que diz Marcos Valério. Mas essa é uma questão para Dilma lidar se e quando ela aparecer.

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