CRISTIANO ESTRELA / ESTADÃO
CRISTIANO ESTRELA / ESTADÃO

Consultores contam o que pesa na hora de pedir voto pela internet

Especialistas sugerem humor e interatividade na política online

Bianca Gomes, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 05h00

Uma “live” na internet não tem nada a ver com um comício na rua. A pandemia do novo coronavírus levou políticos a mudar o jeito de pedir voto. E, ao recorrer às plataformas digitais, eles precisam adotar outro discurso. Brigar pela atenção do eleitor com vídeos, memes e aplicativos de mensagens, em uma transmissão de vídeo, é diferente de manter a atenção de uma plateia com frases de efeito. Especialistas em comunicação política sugerem uma abordagem mais empática, participativa e bem-humorada.

“Discursos gritados no palanque já se foram, ninguém quer saber de promessas impossíveis. Agora, o público procura mais empatia. Isso requer outra estratégia”, afirmou Thais Alves, consultora de comunicação de políticos e executivos. Segundo ela, os candidatos precisam também adaptar o tom de voz e a postura às novas plataformas.

Para Reinaldo Polito, professor no curso de pós-graduação em Marketing Político da USP, a comunicação pela internet faz transparecer mais as artificialidades. “O uso exagerado da emoção funciona na fala presencial. Mas, pelas mídias sociais, o político pode ser visto como charlatão”, disse Polito, autor de livros sobre oratória. Num evento presencial, afirma ele, a reação do público dita se o discurso vai caminhar para um tom mais emocional ou racional. Na internet, não dá para sentir essa reação.

Outro desafio é fazer o eleitor sair de outros aplicativos e clicar no conteúdo do candidato. Carlos Manhanelli, fundador e presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, aponta duas saídas: humor e interatividade. “A internet nasceu para o diálogo. Uma resposta, por menor que seja, faz o eleitor se sentir ouvido e valorizado.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.