Conselhos de estatais mantêm ex-ministros e aliados do governo

Lupi e Amaral ainda recebem de colegiados de BNDES e Itaipu, assim como sindicalistas e ex-governadores

BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2012 | 03h08

Alvo da faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi (PDT) perdeu o cargo há quatro meses, mas manteve parte da renda salarial dos tempos de governo.

Mesmo depois de ser demitido pelo Planalto após denúncias de irregularidades no ministério, o presidente nacional do PDT continua desfrutando de pró-labore no valor de R$ 6.002 por participar de reuniões do Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Lupi não é o único caso de ex-ministro beneficiado com rendimentos extras após deixar a Esplanada dos Ministérios. Titular da Ciência e Tecnologia no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, ganha mais de R$ 25 mil por mês como conselheiro de duas estatais.

Além de participar do colegiado do BNDES, o ex-ministro integra o Conselho de Administração da Itaipu Binacional, considerado um dos conselhos de estatais mais disputados, com um jetom de R$ 19,4 mil.

Compensação. Não bastasse turbinar os salários dos atuais ministros, os conselhos de empresas estatais e públicas também funcionam como cabide de emprego, e não só para antigos ocupantes da Esplanada.

O ex-governador e ex-deputado federal Alceu Collares (PDT), por exemplo, é contemplado pelo polpudo pró-labore do conselho de Itaipu Binacional. Mesmo privilégio tem o sindicalista e bancário João Vaccari Neto, secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique, é outro que engorda seus vencimentos com o jetom pago pelo Conselho de Administração do BNDES.

Ao lado de ex-ministros e sindicalistas, os conselhos de administração servem ainda para acomodar apadrinhados políticos.

Em junho de 2011, o PMDB emplacou Orlando Pessuti, ex-governador do Paraná, no conselho de Administração do BNDES. Eleito vice-governador em 2002 e em 2006, o peemedebista assumiu o governo do Paraná em 2010, quando Roberto Requião renunciou para concorrer ao Senado pelo PMDB.

A nomeação para o conselho do BNDES foi um prêmio dado pelo governo federal para compensar Pessuti, que desistiu de concorrer à reeleição em 2010 e, dessa forma, abriu caminho para tornar viável a aliança de PMDB e PT à candidatura de Osmar Dias (PDT).

A desistência permitiu a costura de um palanque forte para a então candidata à Presidência Dilma Rousseff no Paraná. Dias foi derrotado pelo governador Beto Richa (PSDB), mas a aliança elegeu Requião e a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), para o Senado.

Secretários executivos de ministérios também são outros beneficiados salarialmente com a participação em conselhos de estatais e empresas públicas.

É o caso, por exemplo, do número dois do Ministério das Minas e Energia, o secretário executivo Márcio Zimmermann, que integra os conselhos da Petrobrás, da Petrobrás Distribuidora e da Eletrobrás. / E.L.

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