Congresso debate em SP segurança de jornalistas

Aumento de mortes de profissionais no País é um dos temas de reunião da Abraji, que vai homenagear Tim Lopes, assassinado há dez anos no Rio

O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h06

O crescimento do número de jornalistas assassinados no Brasil e medidas para aumentar a segurança desses profissionais serão dois dos principais temas do 7.º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que começa hoje, em São Paulo. Durante o evento, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o jornalista Tim Lopes, assassinado há dez anos por traficantes na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio, será homenageado.

"A morte do Tim foi o estopim para o nascimento da Abraji. Quando ele morreu, jornalistas do Rio, de São Paulo e até do exterior começaram a conversar e a trocar experiências", explicou o presidente da entidade, Marcelo Moreira, da TV Globo. "A gente está no alto do ranking em jornalistas assassinados em 2012. Isso é preocupante. A maior parte desses crimes não tem uma investigação adequada. A morte de um jornalista é um atentado à liberdade de expressão." Além de Tim, o congresso homenageará o jornalista Janio de Freitas, da Folha de S. Paulo, que completa 80 anos de vida e 59 de jornalismo.

De acordo com várias associações ligadas à defesa da imprensa, pelo menos quatro jornalistas foram mortos no Brasil, no primeiro semestre deste ano, por causa de suas atividades ligadas à informação - e outros dois por motivos ainda não apurados devidamente.

A oficina "Medidas de proteção para jornalistas em coberturas de conflito armado", marcada para hoje de manhã, vai tratar do tema. Além de Marcelo Moreira, Adriana Carranca, repórter do Estado; João Paulo Charleaux, da ONG Connectas; o inglês Rodney Pinder, do International News Safety Institute (INSI), e o americano Frank Smyth, da Global Journalist Security, serão os debatedores.

Palestras. A programação do congresso, que vai até sábado, prevê 90 mesas, debates e oficinas de treinamento. Além da questão da violência contra jornalistas, o evento terá palestras e workshops sobre jornalismo online, megaeventos esportivos, eleições e Lei de Acesso à Informação.

Na programação de hoje também estão previstas oficinas com o repórter Leonencio Nossa, da sucursal do Estado em Brasília, autor do livro Mata!, sobre a Guerrilha do Araguaia; do diretor da sucursal do Rio de Janeiro, Marcelo Beraba, e do colunista José Roberto de Toledo.

Entre os estrangeiros, o destaque é o jornalista americano David Carr, do The New York Times, responsável por uma coluna voltada para a mídia impressa, digital, vídeo, rádio e televisão. Ele e o jornalista Rosenthal Calmon Alves, diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, participam da mesa Super Session: Page One, no encerramento do congresso, na tarde de sábado.

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