FOTOS: Paulo Lopes/Futura Press
FOTOS: Paulo Lopes/Futura Press

Confronto entre Doria e Marinho marca debate ao governo de São Paulo

Tucano e petista, que vestia camiseta com a imagem de Lula, partiram para o enfrentamento tanto em assuntos do âmbito estadual quanto na esfera nacional

Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2018 | 20h18

O debate entre candidatos ao governo de São Paulo, realizado no início da noite de ontem, por SBT, Folha de S.Paulo e UOL, foi marcado por um forte confronto entre os rivais João Doria, do PSDB, e Luiz Marinho, do PT. Durante os três blocos do encontro, os dois partiram para o enfrentamento em diversas vezes, tanto em assuntos do âmbito estadual quanto na esfera nacional. 

No primeiro bloco, ganhou força entre os candidatos a eleição presidencial, principalmente no embate entre Marinho e Doria. O petista vestia uma camiseta vermelha com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato. Em sua pergunta a Doria, Marinho associou sua candidatura à do presidenciável de seu partido, Fernando Haddad. O tucano respondeu relembrando que derrotou Haddad no primeiro turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2016.

Doria ainda aproveitou o discurso contra a violência, muito usado pelo candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas de intenção de votos. Em pergunta para Rodrigo Tavares (PRTB), o ex-prefeito perguntou sobre as propostas para a segurança pública para poder reafirmar suas promessas de campanha, alinhadas com o que pensa boa parte do eleitor de Bolsonaro.

O candidato do PSL à Presidência, que se recupera de um atentado e segue internado no Hospital Albert Einstein, foi lembrado também na pergunta de Lisete Arelaro (PSOL) para Marinho. Os dois criticaram duramente Bolsonaro, especialmente em relação ao tratamento dado às mulheres. “Representa o ódio, foi vitimado pelo ódio, infelizmente, torço para que se recupere e volte para as ruas para ser derrotado nas urnas”, afirmou o petista.

Outro ponto de tensão foi entre o atual governador, Márcio França (PSB), e Paulo Skaf (MDB). França perguntou ao adversário sobre segurança alimentar, esperou a resposta e na réplica perguntou sobre as 18 citações a Skaf no âmbito da Lava Jato, que investiga doações ao candidato do MDB nas eleições de 2014. “Minha vida sempre foi limpa”, rebateu Skaf, desqualificando as denúncias.

PCC entra em discussão no debate

No segundo bloco, os candidatos responderam perguntas dos jornalistas. Sobre o combate às facções criminosas no estado, França afirmou que pretende “estrangular o PCC parando de oferecer a mão de obra deles”. Marinho foi questionado sobre denúncias de irregularidades contra ele em São Bernardo do Campo durante sua gestão como prefeito, que teriam sido cometidas na construção do Museu do Trabalhador. "Ser réu não é ser culpado", respondeu o petista, que pediu celeridade ao Judiciário no processo para que ele possa provar sua inocência. E em nova alfinetada no PSDB, prometeu a criação de uma controladoria no estado como forma de combater a corrupção.

Doria foi perguntado sobre sua doação à campanha de Skaf ao governo de São Paulo em 2014 – ele não doou para Geraldo Alckmin (PSDB), atual candidato tucano na corrida presidencial, na ocasião. “Fiz a contribuição à campanha de Skaf como fiz à outros candidatos. Nenhum problema”, disse o tucano. Doria ainda disse que 80% da sua verba de campanha veio do fundo partidário e que ele poderia sim doas para a própria campanha.

A campanha nacional também esteve presente na segunda parte do debate. Paulo Skaf precisou responder sobre a baixa presença de mulheres no governo de Michel Temer (MDB) e afirmou que “cada um tem a sua história”, numa tentativa de se desvincular da figura do presidente.

Professora Lisete cita saída do tucano da Prefeitura

No terceiro bloco, o maior destaque foram os embates entre Doria e os representantes do PSOL e do PT. Primeiro, Lisete anunciou sua pergunta “ao candidato abandonou a Prefeitura” e questionou o tucano sobre as filas nos agendamentos de exames nos sistemas de saúde da cidade de São Paulo. Na resposta, o tucano afirmou que a candidata era “mal informada e deveria voltar para a escola” , a associou ao PT e afirmou que o PSOL “só sabe invadir propriedades privadas”. Na réplica, Lisete relembrou que Doria teve um problema com um dos seus imóveis, em Campos do Jordão, no Interior do Estado.

Depois, foi a vez de Doria questionar Marinho sobre a criação de estatais durante as gestões dos ex-presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff (“vocês adoram criar estatais e carguinhos para seus companheiros”), afirmando que as empresas do governo “geraram bilhões de reais em prejuízos”. Na resposta, o petista chamou o rival de “João Sem Palavra, gestor de puro marketing”. Na tréplica, Doria disse que "você vem com uma camiseta vermelha com a imagem de um presidiário, isso que é marketing do mal".

Marinho voltou a atacar a gestão tucana em sua pergunta sobre mobilidade urbana, direcionada para França. O petista aproveitou a questão para criticar o PSDB por “não investir no transporte público estadual”.

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