O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h07

Desde que começou a devassa nas folhas de pagamento dos tribunais, a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, viu-se obrigada a permanecer calada. Assim que começou esta última investigação, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a acusá-la reservadamente de quebra ilegal de sigilo. Ficou no ar a ameaça de uma queixa-crime contra a ministra.

A divulgação de que ministros do Supremo (o presidente Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski) tiveram as declarações de bens investigadas pelo CNJ somada ao vazamento desses dados deve agravar a reação à ministra.

Por mais que se esforce para dizer que não estão investigando ministros do STF, o que ultrapassaria as competências do Conselho, a divulgação de dados salariais de dois integrantes da Corte desencadeou reações inflamadas.

Ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon está há tempos em rota de colisão com o Judiciário. Em novembro, ela afirmou que há um "corporativismo ideológico perigosíssimo" nas corregedorias do Poder que favorece a infiltração de "bandidos de toga".

Desde que foi criado o CNJ, o Supremo fez questão de deixar expresso que não se submete a ele. Quando o órgão, ainda na gestão do ministro Gilmar Mendes, estabeleceu a meta de julgar todos os processos protocolados até 2006, parte dos ministros, especialmente Marco Aurélio Mello, deixaram claro que a meta.

Agora, mais uma vez, o STF deve marcar sua posição e repelir a investigação feita pelo CNJ.

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