Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

‘Eu gostaria que não fosse assim, mas tomo o lado dos mortadelas’, diz Ciro

Em sabatina Estadão-Faap, candidato do PDT à Presidência nas eleições 2018 critica clima de polarização no Brasil e afirma que falta de projetos para o País afundou PT e PSDB

Ana Beatriz Assam, Matheus Lara e Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2018 | 12h07
Atualizado 05 Setembro 2018 | 00h41

O candidato à Presidência da República pelo PDT nas eleições 2018, Ciro Gomes participou nesta terça-feira, 4, da série Estadão-Faap Sabatinas com os Presidenciáveis e lamentou o clima de polarização política no País. Durante a entrevista, Ciro disse que a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “frágil” e fez críticas ao PSDB e ao candidato tucano Geraldo Alckmin. “O Brasil se dividiu entre coxinhas e mortadelas. Eu bem que gostaria que isso não fosse assim, mas eu tomo um lado, o lado dos mortadelas.”

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Ciro afirmou ainda que a falta de projetos afundou o PT e o PSDB. Sobre Jair Bolsonaro (PSL) , ele foi contundente. “Quem está puxando o Bolsonaro são os ricos, brancos e os machos. Basicamente, esse lado mais truculento da sociedade (... ) O povo brasileiro não cometerá esse suicídio coletivo.”

CENTRO-ESQUERDA. Na sabatina, Ciro declarou que seu projeto é de “centro-esquerda”. “Não sou do PT, nunca fui e, aparentemente, sou adversário. A diferença, por definição, é profunda.” O candidato lamentou a polarização entre os chamados coxinhas e mortadelas, mas ponderou: “O Brasil se dividiu entre coxinhas e mortadelas. Eu bem que gostaria que isso não fosse assim, mas eu tomo um lado, o lado dos mortadelas”.

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PT. “Minha relação com o PT é a mesma que com a realidade. Estou com a cabeça fora dessa confusão doentia que hoje em dia divide até famílias.”

VOTOS DO LULA. “Vamos deixar o povo votar. Negócio de herdar é patrimonialismo. Disputar voto é minha arte. Herdar é um verbo que está no direito civil como uma transferência de patrimônio. Eu quero todos os votos de todos os brasileiros de boa-fé, que dão valor ao trabalho e à decência.”

CONDENAÇÃO DE LULA. “A sentença que o condenou é frágil.”, afirmou Ciro. “No direito penal vigente no Brasil, só vale o que está escrito. Não há na sentença de Sérgio Moro nenhuma prova que identifique o Lula como culpado de corrupção passiva”, disse o candidato.

LEI DA FICHA LIMPA. Para Ciro, a Lei da Ficha Limpa é “uma reação bem-intencionada”. Segundo ele, para não enfrentar um problema, a sociedade brasileira “procura um by-pass, um fast-track”. “Só o Brasil dá quatro graus de jurisdição. Em todo lugar do mundo, em duas instâncias, acabou. E aí a gente acaba com a impunidade como prêmio. Nenhum tucano vai para a cadeia. O único é o Eduardo Azeredo”, disse Ciro.

RECONSTRUÇÃO DO PAÍS. O candidato do PDT afirmou que o Brasil precisa mudar, mas que nem todos foram convencidos disso. “A elite brasileira, as cabeças que lideram o País não parecem muito convencidas disso.” Para ele, o Brasil precisa mudar “por qualquer janela que abra, para a frente, para a direita, para a esquerda...”, disse.

MUDANÇA. Ao ser questionado sobre qual seria a mudança que tanto prega em sua campanha, Ciro disse que é a mudança do modelo econômico. “Marketing todo mundo faz”, respondeu. Para ele, “PT e PSDB se afundaram na falta de projeto para o País, na indignação do popular em intensidades variadas”. “E hoje há uma sociedade civil interessada em buscar concreta e organicamente uma alternativa.” O candidato ressaltou que não dá para acreditar que todo mundo é igual. “Se é assim, não precisa mais pesquisar boas ideias. Simpatia ou antipatia são os piores conselheiros para uma decisão política madura.”

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ADVERSÁRIOS. Ciro teceu comentários sobre outros candidatos que também utilizam o mote da mudança em suas campanhas. “A economia política e a atitude do Alckmin autorizam a mudar? É razoável? Só se a gente for imbecil. Ele está organicamente com toda a estrutura do Michel Temer e fala em mudar. A gente vai acreditar nisso?”, questionou o pedetista. 

BOLSONARO. Segundo Ciro, Bolsonaro tem respostas toscas para uma sociedade que está insegura. “Quem está puxando o Bolsonaro são os ricos, brancos e os machos. Basicamente, esse lado mais truculento da sociedade. Mas daí ele ganhar a eleição...O povo brasileiro não cometerá esse suicídio coletivo.” O candidato continuou: “Gosto tanto do povo brasileiro que eu acho que esse voto é um pit stop. Que o carro vem, para, troca o pneu, coloca gasolina. Eu acho que é a elite brasileira que está produzindo o Bolsonaro. Ele está interpretando um papel. Qual papel? Ele quer negar a política como diálogo.”

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PREVIDÊNCIA. O candidato disse que o atual sistema está morto e que ele não é reformável. “Minha proposta é criarmos um novo regime. Um regime de capitalização. Cada trabalhador poupa para si mesmo, uma parte compulsória, ditada pela lei, e a outra parte complementar, voluntária, para quem quer ter uma aposentadoria maior que o teto.”

RECURSOS. Ciro defendeu impostos sobre lucros e dividendos empresariais. “Só o Brasil e a Estônia não cobram esse tributo. E vou cobrar com alíquota razoável. Isso permite visualizar R$ 70 bilhões. Vou propor imposto sobre heranças acima de R$ 2 milhões. Acima disso, americanos cobram 29%; na Europa, 40%; o Brasil cobra 4%. Quero estabelecer uma progressividade. Aí, já vejo mais R$ 30 bilhões. E também proponho rever as renúncias fiscais. Aí, são R$ 354 bilhões.”

SPC. O candidato comentou sua proposta de tirar o nome de 63 milhões de pessoas do SPC. “Essa proposta virou hit, porque tudo que é para pobre vira uma polêmica infernal. O que eu proponho é que a Caixa, o Banco do Brasil e os bancos privados que queiram aderir financiem em até 36 vezes esse saldo médio de R$ 1,2 mil com juros de 10%.”

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