'Condenações do mensalão têm um papel educativo'

Para ativista, se o cidadão vê que um ministro vai para a prisão, ele vai pensar dez vezes antes de cometer o mesmo crime

Entrevista com

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2012 | 02h06

O mensalão é visto com um otimismo moderado pela comunidade internacional, segundo o diretor para Américas da Transparência Internacional, o mexicano Alexandro Salas. Para ele, o julgamento que condenou José Dirceu e outros políticos brasileiros prova que as ações para frear a corrupção não se restringem ao Executivo. Em entrevista ao Estado, o ativista elogiou a presidente Dilma Rousseff e ações como a Lei de Acesso à Informação, mas destacou que o tamanho do País impede que as mudanças no âmbito federal cheguem aos Estados e municípios.

O Brasil tem se mantido estável nos rankings de corrupção da Transparência Internacional, em 73º entre 183 países. Até que ponto isso é positivo?

Nos últimos três anos tem havido várias iniciativas positivas para frear a corrupção. Por exemplo a Ficha Limpa, a Lei de Acesso à Informação, a atitude forte da presidente Dilma que tirou membros da sua equipe. O grande problema é que o que se passa em nível federal não é reflexo de todo o País; o avanço que há no País se dá de diferentes maneiras.

Quais seriam outros avanços no combate à corrupção?

O Brasil foi muito bem no uso da urna eletrônica. Muitas vezes parece somente uma medida de modernização pelo Estado, mas é muito importante para a luta contra a corrupção. Além disso, o Estado tem aberto as informações disponíveis, como os programas sociais, na divulgação dos salários.

Como o sr. vê o julgamento do mensalão?

O mensalão é uma amostra de que não é somente o Poder Executivo que precisa se esforçar, mas também a Justiça na luta contra a impunidade. A comunidade internacional vê com um otimismo moderado o mensalão. É um caso, mas é importante que a Justiça faça mais, ou serão apenas alguns presos.

A condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pode evitar corrupção no futuro?

É um efeito muito grande do mensalão. Se vejo que o ministro Dirceu termina na prisão vou pensar dez vezes antes de roubar o dinheiro da cidadania. Tem um papel educativo.

A pressão popular que se notou em torno do julgamento pode significar uma mudança da percepção da corrupção pelos brasileiros? O que influenciou isso?

Parece que o momento em que o Brasil começa a ser um país mais aberto ao mundo e o mundo começa a vê-lo como uma potência do futuro, como um mercado econômico importante, e passa a ser uma influência importante na América Latina, os cidadãos são mais conscientes e estão mais expostos ao mundo. Acho que, quando o cidadão descobre coisas que arranham a imagem do seu país, começam a reclamar disso. / D.A.

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