REUTERS/Rodolfo Buhrer
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Compromisso do PT é de aprofundamento à democracia, diz Haddad sobre manifesto de Bolsonaro

Sobre o acirramento da disputa e o crescimento de movimentos ligados à direita, candidato diz que o PT sempre cultivou a tolerância

Katna Baran e Julio Cesar Lima, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2018 | 14h34

CURITIBA - O candidato do PT à Presidência da República nas eleições 2018, Fernando Haddad, criticou nesta segunda-feira, 24, o que chamou de “movimentos exóticos” contra a tradição democrática brasileira e afirmou que a campanha petista vai se associar aos movimentos de fortalecimento da democracia do País. “Entendemos que ela (a democracia) está sendo ameaçada diariamente com suposições”, disse, após visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Sem citar nomes, Haddad rebateu questionamentos sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas e o resultado das eleições. “Vamos nos associar a todos os movimentos sociais, populares e institucionais, para o fortalecimento da democracia no Brasil”, declarou.

O candidato do PT também se contrapôs à informação divulgada pelo Estado de que seu adversário do PSL nessa corrida presidencial, Jair Bolsonaro, está preparando um manifesto para ser divulgado à Nação e disse que o compromisso do PT é com o aprofundamento da democracia. Mais cedo, o terceiro colocado nas pesquisas, o pedetista Ciro Gomes, disse que o manifesto do deputado é mentiroso

"Nosso manifesto já foi apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral, é o nosso programa de governo, que eu reitero a cada entrevista, é um compromisso de aprofundamento à democracia , de respeito à soberania nacional, de respeito à soberania popular - pouca gente respeita infelizmente - de direitos sociais , trabalhistas, o aceno que estamos fazendo é um aceno ao povo que está sofrendo no governo Temer e os apoiadores do governo Temer", disse o petista.

Questionado sobre o que deve fazer para superar a rejeição sobre o PT nas eleições, Haddad insistiu no discurso de aperfeiçoamento da democracia e da soberania popular. Para ele, a evolução da extrema direita no quadro eleitoral se deve aos temas discutidos na imprensa. “Os meios de comunicação procuraram pautar temas que não eram os mais importantes do País e acabaram gerando esse tipo de cultura da intolerância”, disse.

Haddad rebateu ainda os questionamentos sobre uma necessidade de autocrítica do PT, caso o partido esteja no segundo turno das eleições presidenciais. Para ele, “quem tem que fazer a crítica é a oposição”. “Na política , você tem sempre mais de uma parte, situação, oposição, dois ou três partidos, e a política é feita de críticas mútuas, as pessoas vão uma criticando as outras para o eleitor chegar a uma conclusão”, avaliou.Na entrevista, o candidato do PT negou que tivesse deixado obras paralisadas em sua gestão na Prefeitura de São Paulo. "Não paralisamos nenhuma obra em São Paulo, é que temos de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, temos que deixar dinheiro em caixa, deixamos R$ 5,5 bilhões em caixa, se tínhamos R$ 5,5 bilhões porque razão paralisaríamos uma obra, foi para cumprir a legislação, mas nenhuma foi parada, depois de outubro de 2016 reservamos o dinheiro em caixa na forma da lei, por isso tivemos contas aprovadas, quem até hoje não retomou as obras foi meu sucessor (João Doria) por isso ele está enfrentando tanta rejeição em São Paulo", criticou.

Haddad: 'Nunca vi  perguntarem ao Alckmin se ele não faria autocrítica'

Questionado se o partido tem realizado autocrítica durante este processo eleitoral, Haddad disse que isso acontece, mas que a pergunta deveria ser dirigida aos tucanos Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin. "Nunca vi perguntarem ao Alckmin se ele não faria uma autocrítica das quatro derrotas que teve, da sua situação nas pesquisas", comentou.

"Eu já fiz várias entrevistas falando pontualmente onde nós podíamos ter melhorado, nosso plano de governo reflete uma visão de enfrentamentos que nós não fizemos, acho curioso que essa pergunta é sempre feita ao PT, quem perdeu as quatro últimas eleições não foi o PT", emendou.

Antes da coletiva, o tesoureiro do PT, Emídio de Souza, deu uma declaração em nome do partido na qual questionou o fato de Adelio Bispo, autor do ataque a faca contra Bolsonaro, poder gravar entrevistas. "Nos causa estranheza que um preso homicida, que é o caso do rapaz que deu a facada, tenha o direito de gravar entrevistas dentro da prisão e ao presidente Lula seja negado este direito o tempo todo. Nos causa estranheza, pois o que de importante essa pessoa tenha a dizer ao País?." 

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