'Companheiros', Aécio e Campos fazem campanha juntos em Minas

Opositores nacionais, políticos trocam afagos e dizem que sempre se unem quando 'interesse do País' está em jogo

MARCELO PORTELA / , BELO HORIZONTE , O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2012 | 03h04

Dois dos nomes cotados para ter papel de destaque na disputa pelo Palácio do Planalto em 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, participaram juntos de ato de campanha em Minas Gerais ontem, mas evitaram qualquer referência a uma possível aliança para a corrida presidencial.

O tucano disse ter "compreensão das circunstâncias do outro", referindo-se ao fato de Campos ser aliado nacional da presidente Dilma Rousseff. Já o presidente do PSB disse que alianças locais significam uma renúncia "às posições em nível nacional".

Aécio é o nome mais cotado do PSDB para a eleição presidencial de 2014 e já manifestou interesse em uma aliança com Campos. Mas PSB e PSDB também mantêm alianças locais, como a que resultou na reeleição em primeiro turno do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB). Os dois partidos também estão juntos no 2.º turno de Campinas.

Ontem, Aécio e Campos participaram de ato de campanha do deputado estadual Antonio Lerin (PSB), que chegou ao 2.º turno de Uberaba, no Triângulo Mineiro, contra o deputado federal Paulo Piau (PMDB).

Segundo Campos, porém, a presença dos dois no evento tem significado só "para 2012". "A eleição nem terminou ainda. Falar dessas coisas termina criando problema, mais para Aécio do que para mim", disse, referindo-se a 2014, em meio a risos inclusive do tucano.

De acordo com o governador, as parcerias locais ocorrem "com muita naturalidade" porque integrantes das duas legendas estiveram juntos "em momentos bonitos da vida brasileira", como a redemocratização.

Risos. "Estivemos separados nos últimos anos nas lutas políticas brasileiras, mas, quando o interesse do País foi colocado na pauta, a gente sempre esteve junto. Isso é da maturidade democrática. Não faz a gente renunciar às nossas diferenças nem deixar as posições que temos em nível nacional", disse Campos, que negou a intenção de rodar o Brasil em uma espécie de pré-campanha. "Quem está pelo País todo é o Aécio", declarou, mais uma vez entre risos de todos.

Aécio concordou com a aproximação em torno das "grandes questões nacionais", mas ressaltou que essas alianças ocorrem com "cada um compreendendo as circunstâncias do outro". "Política é isso. Você compreender as circunstâncias do seu amigo, do seu companheiro. Eduardo participa hoje com seu partido da base de sustentação do governo da presidente Dilma. Somos a oposição. E cada um cumpre o seu papel", disse Aécio.

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