Janete Longo/Estadão
Janete Longo/Estadão
Débora Bergamasco, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2012 | 02h05

Habituada a frequentar os melhores hotéis e restaurantes ao lado do namorado e ex-ministro José Dirceu, a relações públicas Evanise Santos está disposta a mudar seus hábitos, visitando o companheiro na penitenciária "todos os dias, se possível", e afirma que sairá às ruas para protestar contra a sentença do Supremo Tribunal Federal.

"Pediram para esperarmos as eleições, depois a dosimetria. Pronto, agora não falta nada e chegou a hora, eu vou para a rua como militante porque não é justo o que estão fazendo com o Zé", desabafou, em conversa com o Estado.

Na segunda-feira, Eva, como é chamada pelos amigos, tirava um cochilo após o almoço ao lado de Dirceu, quando o deixou descansando na cama, levantou-se e descobriu que o STF estava decidindo naquele momento, de surpresa, a pena de quase 11 anos de prisão imposta a seu companheiro.

Despertou "Zé" da soneca, conversaram e, juntos, admitiram que a pena já era esperada: "Sabíamos que seria uma pena dura como esta, porque veja o que estão fazendo com essa história de obrigar a entregarem o passaporte. Sabem que o Zé não vai fugir, até porque já alertaram até a Polícia Federal. Mas retiveram o documento só para espezinhá-lo", queixou-se. Entretanto, diz não crer que os ministros do Supremo aceitarão eventual pedido de prisão cautelar - o que colocaria os condenados mais cedo na cadeia.

Com a pena imputada a Dirceu, o petista deve cumprir ao menos um ano e nove meses em regime fechado, em presídio ainda não definido. "Se tiver visita todos os dias, pode ter certeza de que todos os dias eu estarei lá. Vou ficar ao lado do Zé porque acredito na inocência dele", assegura Evanise. Indagada se conhece como costumam ser os métodos de revista para entrar na cadeia, ela interrompe o assunto: "Não sei e por enquanto não quero saber. Pois você acredita que tentaram me falar como é isso no dia do meu aniversário, no último dia 29 (de outubro)? Nem quis ouvir. Cada agonia a seu tempo."

Com alto cargo no grupo de comunicação Ejesa, ela pretende continuar trabalhando normalmente e ainda não definiu como fará para poder estar mais perto de Dirceu enquanto ele estiver no cárcere e, ao mesmo tempo, auxiliá-lo fora da cela. "Quero estar não só ao lado dele, mas ajudando a cuidar dos filhos, da neta e das ex-mulheres, por quem eu tenho profundo respeito."

O casal se conheceu em 2003, quando Dirceu era o todo-poderoso chefe da Casa Civil do governo Lula e ela, assessora no Ministério dos Transportes. A amizade cresceu, o romance desabrochou e desde então Evanise manteve-se inabalável ao lado do namorado, mesmo quando veio à tona o escândalo do mensalão e a consequente queda de Dirceu da pasta.

Nessa época, ela trabalhou para ajudar a melhorar a imagem do político, incentivando-o a voltar a circular em eventos sociais, a fazer implante de cabelo e a se exercitar. Também ficou firme aos abalos de ordem pessoal, quando o apoiou a assumir um filho fora do relacionamento dos dois. Desde que começou o julgamento, ela procura compreender as limitações sociais de Dirceu, que evita circular em locais públicos. "Vou continuar a defender o Zé com unhas e dentes. Até o fim."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.