Como Yoani, mídia pede acesso a dados em Cuba

Dias depois de Havana rejeitar a vinda da blogueira ao Brasil, sindicato quer papel nos 'novos tempos' do país

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2012 | 03h06

Dias depois de a dissidente e blogueira cubana Yoani Sanchez ter negada permissão para visitar o Brasil - era sua 19ª tentativa de deixar o país para uma viagem -, o Sindicato de Jornalistas de Cuba (UPEC), alinhado ao governo castrista, fez suas cobranças ao regime, com um pedido de "maior abertura informativa das fontes oficiais".

Trata-se de um sindicato oficial, devidamente alinhado com as regras do Partido Comunista e do governo Raul Castro. Ainda assim, na mesma linha da blogueira, ele afirma, em seu site oficial, que "a imprensa cubana deve responder a demandas do momento atual". Seu presidente, Tubal Páez Hernández, insistiu "no papel que corresponde à imprensa, no momento em que o país vive uma necessária atualização de seu modelo econômico e social".

A nota é parte da cobertura do recém-terminado Primeira Conferência Nacional do Partido Comunista (PCC). Nela, Hernández advertiu que, negando a orientação da própria conferência, "não se conseguiu em todas as instâncias administrativas a compreensão do direito dos meios de informação a levar a verdade ao povo".

No mesmo encontro, a diretora do semanário Cinco de Septiembre, Alina Rosell, queixou-se da longa demora, e muitas vezes do completo silêncio, com que as instituições oficiais tratam os jornalistas.

Segundo comentário do site do Centro Knight para Jornalismo nas Américas, até o presidente Raúl Castro criticou o "secretismo" oficial que o regime cubano fomentou. E o jornal oficial Granma acusou funcionários de obstruir o acesso dos meios de comunicação à informação.

Yoani. Informada há três dias de que não poderia visitar o Brasil, onde era aguardada para a apresentação de um documentário a seu respeito, Yoani Sanchez mostrou-se amarga em suas mensagens de Twitter. "Sobreviverei, fisica e emocionalmente a tudo isso, mas na verdade não estou segura" disse em uma delas. Em outra, provocou: "Agora mesmo me pergunto, que vantagem lhes trouxe negar-me a saída? Aqui tenho tanto o que fazer!"

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