Como diz o ministro, 'depende de como se usam os números'

Análise: Marta Salomon

O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2012 | 03h06

Corridas as duas primeiras horas de depoimento ao Senado, Fernando Bezerra Coelho resumiu em uma frase o roteiro traçado para sua atuação durante a tarde. "Os números do Siafi não mudam, depende de como se usam esses números", afirmou o ministro, em uma das respostas com as quais tentava, mais uma vez, explicar a concentração de verbas antienchentes em Pernambuco.

O "Siafi" a que o ministro se referiu é o Sistema Integrado de Administração Financeira, onde são lançados todos os gastos feitos pela União. Esse sistema registra um único programa com o nome de Prevenção e Preparação para Desastres, subordinado à Integração Nacional.

Dos gastos autorizados em 2011 dentro desse programa, o ministério dirigido por Bezerra pagou R$ 28,9 milhões. Desse valor, R$ 25,5 milhões foram destinados a Pernambuco, sendo que R$ 22,7 milhões pagaram o início da construção de duas novas barragens no Estado.

Da tribuna no Senado, Fernando Bezerra Coelho "usou" os números para se defender. Para isso diluiu os gastos em Pernambuco como quem soma laranjas e beterrabas. Lançou mão de obras conduzidas por outros ministérios e chegou à cifra de R$ 1,1 bilhão em gastos com prevenção, com base em obras de contenção de encostas do Ministério das Cidades e até da Transposição do Rio São Francisco.

Novo nome. Se Coelho resistir no cargo, não terá o mesmo problema no ano que vem. O programa Prevenção e Preparação para Desastres que o levou à berlinda simplesmente desapareceu do Orçamento. Em seu lugar, nasce outro, batizado de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres, a ser executado por vários ministérios. A Integração vai administrar 34% dos R$ 2 bilhões de gastos previstos.

O ministro também exibiu um uso peculiar das porcentagens ao reafirmar que o governo federal pagaria a metade do custo das barragens de Panelas 2 e de Gatos, obras que marcaram o privilégio a Pernambuco no rateio das verbas de prevenção neste ano. Documentos do convênio mostram que o governo bancará 77% do custo das barragens, de R$ 65 milhões. A diferença entre a conta do ministro e o compromisso do ministério é de R$ 17,5 milhões.

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