Comitê de Serra levou acusador a promotor, afirma ex-colaborador

Jornalista que afirma ter ajudado na campanha do PSDB à Prefeitura conta ter articulado depoimento contra Chalita na eleição

BRUNO BOGHOSSIAN, JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h10

Um assessor da campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo em 2012 levou o analista de sistemas Roberto Grobman ao Ministério Público para que ele apresentasse denúncias de corrupção contra o deputado Gabriel Chalita (PMDB), acusado de receber R$ 50 milhões de empresários quando era secretário paulista de Educação.

Grobman foi levado aos promotores pelo jornalista Ivo Patarra, que fazia "assessoria política" para a campanha tucana, em outubro do ano passado, quando Serra disputava o 2.º turno da eleição municipal paulistana. Patarra seguiu orientações do deputado Walter Feldman (PSDB), um dos coordenadores da campanha do PSDB.

O adversário de Serra naquela ocasião era o atual prefeito Fernando Haddad (PT), que tinha o apoio de Chalita - responsável por verbalizar as mais duras críticas ao tucano em debates, depoimentos e entrevistas.

Procurado pelo Estado, Patarra admitiu que, enquanto trabalhava na campanha de Serra, levou Grobman ao MP. "Eu estive lá e acompanhei os quatro depoimentos iniciais dele. De certa forma, fez parte do meu trabalho na época", disse o jornalista. "Não vou te negar isso: a gente estava na campanha", completou.

Grobman esteve no Ministério Público ao lado de Patarra duas vezes na disputa do 2.º turno. As informações não vieram a público durante a campanha porque os promotores não avançaram na investigação. Como deputado federal, Chalita desfruta de prerrogativa de foro, perante o Supremo Tribunal Federal.

"A gente acabou não fazendo qualquer uso eleitoral do que a gente descobriu. Os primeiros depoimentos ainda foram no período antes do 2.º turno, mas já com a decisão de que não se faria uso disso na eleição, para que a denúncia não fosse prejudicada por essa acusação de ser eleitoreira", justificou Patarra.

O jornalista disse que levou Grobman ao MP por orientação de Feldman. O deputado confirma ter pedido que a denúncia fosse levada aos promotores.

"Essa informação nos chegou na campanha. O Chalita candidato, nós na campanha do Serra... Nós colocamos que eram denúncias que nos pareciam que deveriam ser investigadas, então eu sugeri, juntamente com o Ivo, que fizesse o encaminhamento ao MP", declarou o tucano.

Grobman afirma ter trabalhado como assessor informal de Chalita na secretaria de Educação. Ele diz que presenciou, pelo menos seis vezes, momentos em que Chalita recebeu malas e caixas com "pilhas de notas de dinheiro". Grobman afirma que Chalita cobrava 25% de empresas interessadas em firmar contratos com sua pasta.

Pagamento. Patarra diz que trabalhou formalmente na campanha de Serra e afirma que o comitê tucano fez pagamentos por seus serviços de "assessoria política". Ele declarou, no entanto, que não emitiu nenhuma nota fiscal que comprovasse o pagamento.

Em novembro de 2012, no mês seguinte à eleição, Feldman pediu reembolso à Câmara dos Deputados pela prestação de serviços da empresa Ivo Patarra Comunicações Ltda., que emitiu a nota fiscal no valor de R$ 9 mil. O deputado disse que o pagamento era por outro serviço de comunicação prestado por Patarra. "Era totalmente outro serviço. Não tinha nada a ver."

Questionado sobre a falta de pagamentos a Patarra na prestação de contas da campanha, Feldman disse: "Não sei. Não tinha nenhuma relação desse caráter".

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