Comissão volta a cobrar dados de Pimentel

Pela 3ª vez, ministro terá de explicar negócios de sua consultoria à Comissão de Ética Pública

RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2012 | 03h06

Dois conselheiros da Comissão de Ética Pública da Presidência defenderam ontem a imposição de advertência ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, pelos negócios de sua consultoria. A Comissão também apurará o episódio de uso de um jatinho particular em viagem à Europa.

Esta será a terceira vez que Pimentel terá de dar informações à comissão sobre a P-21 Consultoria e Projetos, que teria faturado mais de R$ 2 milhões entre 2009 e 2010 - o ministro havia dado dois esclarecimentos anteriores, considerados insuficientes. Há suspeita de tráfico de influência.

O relator e conselheiro Fábio Coutinho propôs a advertência e foi acompanhado de Marília Muricy. Os demais membros da comissão votaram por mais esclarecimentos. "Queremos saber exatamente, documentadamente, o encerramento das relações contratuais da consultoria. A comissão, como qualquer tribunal, e somos um tribunal, enquanto não se sente esclarecida, tem o dever de converter em diligência para apurar", disse o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, que pedirá informações à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, cliente da P-21.

A assessoria de Pimentel diz que o ministro ainda não foi notificado e prestará os esclarecimentos. Da última vez, o ministro não respeitou o prazo - o que Pertence considerou "grave".

Lanchas. A comissão também abriu investigação para apurar a conduta do ex-ministro da Pesca Altemir Gregolin na compra de lanchas-patrulha, revelada pelo Estado. "Se arquivamos em relação à ministra Ideli Salvatti (que pagou parte da fatura na sua gestão), porque ela não era ministra nos tempos desses contratos, temos de abrir também para apurar a participação, eventual infração ética do ex-ministro", disse.

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