Comissão quer revisão de demissão na USP de desaparecida política

O Instituto de Química da USP ainda não definiu como vai responder ao pedido da Comissão Nacional da Verdade para que reveja o histórico da demissão da professora Ana Rosa Kucinski Silva, ocorrida em 1975. No dia 23 de outubro daquele ano, a congregação do instituto decidiu demitir a docente por abandono de emprego.

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 08h41

O que a comissão pede é que seja registrada nos documentos oficiais a verdade sobre o episódio. Ana Rosa era militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização que defendia a resistência armada ao regime militar, e desapareceu na região central de São Paulo no dia 22 de abril de 1974, juntamente com seu marido, Wilson Silva.

De acordo com o livro Direito à Memória e à Verdade, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, após sair para almoçar num restaurante próximo à Praça da República, o casal nunca mais foi visto. No livro Memórias de Uma Guerra Suja, o ex-delegado de polícia Claudio Guerra disse que viu seu corpo na Casa da Morte, em Petrópolis - um dos centros de tortura mantidos na ditadura militar.

Um ano após o sequestro, a congregação do instituto onde Ana Rosa ensinava demitiu-a por abandono de emprego. Em 1995, na gestão do reitor Jacques Marcovitch, a decisão foi revertida. Ana Rosa é considerada oficialmente desaparecida política, segundo a assessoria da USP.

Na quarta-feira, a Comissão Nacional da Verdade, em sua primeira ação oficial em conjunto com a Comissão da Verdade de São Paulo, encaminhou documento ao reitor da USP, João Grandino Rodas, e ao diretor do Instituto de Química, Fernando Ornellas, pedindo a revisão pública da decisão no instituto. / R.A.

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