Comissão mimetiza Fla x Flu político instalado no País

Análise: João Domingos

O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h09

Instalada há 50 dias, a CPI do Cachoeira continua presa à guerra política travada por PT e PSDB, os dois partidos que há 17 anos se revezam na Presidência da República. Os reflexos da disputa podem ser vistos em todas as sessões da comissão, com cada um dos lados buscando os mínimos pretextos para reafirmar a importância que seus governos tiveram ou têm para o País.

A CPI antecipa ainda a disputa eleitoral de outubro, quando serão eleitos os novos prefeitos e vereadores, e a de 2014, que exibirá novamente candidatos petista e tucano à frente da disputa pelo comando máximo do País. Não há nem disfarces para a guerra eleitoral. Da parte do PT, o deputado Doutor Rosinha (PR) quis convocar o tucano José Serra para depor na CPI; da parte do PSDB, o deputado Carlos Sampaio (SP) queria ouvir a presidente Dilma Rousseff.

Já o PMDB era contra a criação da CPI do Cachoeira. Vencido, o partido preferiu ficar na moita. E tem aproveitado a briga de petistas e tucanos para proteger os seus. Tem conseguido passar incólume, evitando a convocação do governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, e de seu amigo Fernando Cavendish, dono afastado da Delta Construções, empresa com mais obras do PAC, agora declarada inidônea, portanto, sem condição de pegar novos contratos e em risco de perder os que já tem.

Por causa da briga partidária, a CPI tem deixado de lado documentos que já recebeu e que deveriam estar sendo examinados. São, até agora, 296. Entre eles, os dados fiscais, bancários e telefônicos de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o principal alvo da comissão. Eles já estão no cofre da CPI.

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