Comissão local levará fotógrafo do corpo de Herzog ao DOI-Codi

A Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo quer ouvir o fotógrafo Silvaldo Leung Vieira e levá-lo ao local em que registrou a imagem do jornalista Vladimir Herzog, já sem vida, há 38 anos. Em outubro de 1975, o então diretor de Jornalismo da TV Cultura foi torturado até a morte por agentes da repressão da ditadura militar, em uma cela do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), na zona sul de São Paulo.

IURI PITTA , O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2013 | 02h02

Silvaldo Leung Vieira vive em Los Angeles (EUA). Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, deixou o Brasil em 1979 para fugir do regime autoritário. Quatro anos antes, ele fora aprovado em concurso para fotógrafo da Polícia Civil. Com 17 dias de curso, foi levado até a sede do DOI-Codi, local onde 50 pessoas teriam perdido a vida entre 1970 e 1975, segundo informou ontem o procurador Claudio Fonteles, da Comissão Nacional da Verdade.

Lá, Silvaldo recebeu a ordem de fotografar o corpo de Herzog após o "suicídio" - versão oficial para justificar a morte do jornalista mantido sob custódia do Estado. Segundo o fotógrafo, a cena já estava montada quando ele chegou à cela. A imagem tornou-se símbolo da luta contra a repressão e pela volta da democracia ao País. O regime militar só chegaria ao fim quase uma década depois da fotografia feita por Silvaldo.

"A morte de Herzog e, depois, a do operário Manoel Fiel Filho (menos de três meses depois) foram a gota d'água de um pote de mágoa e sofrimento que levou os brasileiros a reagir contra a ditadura", diz o presidente da comissão, vereador Gilberto Natalini (PV), ele próprio vítima da repressão (leia acima). "Levar Silvaldo de volta ao DOI-Codi é resgatar mais detalhes do que aconteceu, mais uma ação na nossa busca pela verdade, pela história que não pode ser esquecida."

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