Comissão de Ética prepara respostas à presidente

Afrontada pelo Palácio do Planalto, a Comissão de Ética Pública da Presidência deve entregar na segunda-feira à presidente Dilma Rousseff o processo que pediu a exoneração do ministro Carlos Lupi (Trabalho). Dilma decidiu dar sobrevida ao ministro, apesar da sucessão de denúncias envolvendo o nome e a pasta do pedetista - e confrontando recomendação da comissão.

RAFAEL MORAES MOURA, BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2011 | 03h02

"Não darei declarações sobre o tema antes de responder à presidente da República, o que pretendo fazer na segunda-feira", disse ontem o presidente da comissão, José Paulo Sepúlveda Pertence, após encerramento de seminário em Brasília sobre ética na gestão. Por determinação de Dilma, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) encaminhou ofício solicitando esclarecimentos à comissão.

Na última quarta-feira, a Comissão de Ética Pública recomendou, por unanimidade, a exoneração de Lupi. Em relatório, a conselheira Marília Muricy sustenta que a "enxurrada de denúncias" no Ministério do Trabalho abala "a administração pública federal como um todo".

"A conduta do sr. Carlos Lupi, seja por suas inquestionáveis e graves falhas como gestor, seja pela seja pela irresponsabilidade de seus pronunciamentos públicos, não se coaduna com os preceitos éticos estabelecidos pela alta administração federal", destaca o relatório. Questionada se mantinha o tom do relatório, a relatora disse: "Palavra por palavra, vírgula por vírgula, ponto e vírgula por ponto e vírgula".

Para Marília Muricy, Dilma não desafia a comissão. "A presidenta não está subordinada à comissão. Ao contrário, a comissão é criada por decreto presidencial, os membros são nomeados pela presidenta da República e a Comissão de Ética assessora a Presidência", disse.

Pertence afirmou ter votado "absolutamente convencido" no processo de Lupi, observando que o pedido de reconsideração do ministro deve ser "examinado e estudado".

Ele aproveitou o seminário para enaltecer o trabalho do grupo. Disse que debates como o que se encerrou ontem vem "marcando desde o início da fundação dessa comissão de mentirinha, como já dizem uns". Depois, explicou que fez referência ao "caríssimo amigo senador Pedro Simon (PMDB-RS)". Simon afirmou, no dia 21 de novembro, que a comissão é "de mentirinha, foi feita para não valer".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.