Comissão de Ética livra Ideli de denúncia

Para órgão, o fato de ex-ministra da Pesca ter feito pagamento de lanchas-patrulha não a incrimina

RAFAEL MORAES MOURA, BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2012 | 03h08

Por unanimidade, a Comissão de Ética Pública da Presidência decidiu ontem arquivar a denúncia contra a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a respeito das polêmicas 28 lanchas-patrulha adquiridas por R$ 31 milhões pelo Ministério da Pesca - parte da conta foi paga na gestão de Ideli.

Apesar de ter livrado Ideli, a comissão mantém o foco sobre os negócios de consultoria do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que desrespeitou o prazo de dez dias para prestar mais esclarecimentos aos conselheiros. "Ideli não fez licitação, não assinou contrato, pagou uma das prestações a que estava obrigada e foi inteiramente excluída das indagações do Tribunal de Contas da União. Não há nada marítimo hoje", disse o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence. "Não é possível pedir a cada ministro que faça, antes de tomar posse, a folha corrida do seu ministério para saber se no passado houve alguma irregularidade."

Conforme revelou o Estadão, o dono da fabricante das lanchas, a Intech Boating, doou, a pedido da Pesca, R$ 150 mil ao comitê financeiro do PT de Santa Catarina, que bancou 81% dos custos da campanha derrotada de Ideli ao governo catarinense.

"Os fatos relatados na própria denúncia, assim como os documentos depois vindos aos autos, inclusive, particularmente, a análise do Tribunal de Contas da União, nada provaram que lhe (a Ideli) pudesse ser atribuída falta ética", disse Pertence.

A comissão também decidiu não abrir procedimento preliminar para analisar a conduta do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mencionado em conversas telefônicas do escândalo Carlinhos Cachoeira.

Consultoria. Um dos auxiliares mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro Pimentel segue sob investigação, devido a denúncias de que sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010. Há suspeitas de tráfico de influência. Conforme apurou o Estadão, Pimentel e Dilma se encontraram no Palácio do Planalto, quando os conselheiros já estavam reunidos em um anexo para a reunião da comissão.

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