TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Comissão de Ética do Novo expulsa Sabará, afirma diretório nacional

Candidato à Prefeitura de São Paulo criticou ‘caciquismo’ no partido durante evento do ‘Estadão’; comissão de ética justifica decisão por ‘inconsistências no currículo’

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2020 | 18h21
Atualizado 26 de outubro de 2020 | 14h27

A comissão de ética do Novo informou nesta quarta-feira, 21, que decidiu, por unanimidade, expulsar o candidato à Prefeitura de São Paulo Filipe Sabará, por “inconsistências em seu currículo”. O diretório nacional do partido enviou comunicado aos filiados da capital paulista, informando a decisão. 

“Filipe Sabará está oficialmente expulso e não pertence mais ao quadro de filiados do Novo”, diz o comunicado. Segundo o texto, o candidato tem 10 dias para apresentar recurso ao diretório nacional do Novo. Segundo a sigla, a apreciação do recurso não suspende a decisão da comissão de ética. 

A expulsão de Sabará ocorre horas depois de o candidato criticar a cúpula do partido, durante a sabatina do Estadão. Ele acusou a legenda de não repassar R$ 600 mil em doações feitas durante o período de pré-campanha e afirmou que a comissão de ética é comandada pelo ex-candidato a presidente João Amoêdo – e criticou o que chamou de ‘caciquismo’ no partido. “Gosto muito do Novo, do seu estatuto. O que não concordo é com ‘caciquismo’. Quando você discorda do João Amoêdo, pessoas vem de perseguir”, afirmou Sabará. 

Em respostas às críticas do candidato durante a sabatina, Amoêdo disse: “Sabará tem uma postura arrogante, incoerente e vai cair no ostracismo”.

No comunicado, o Diretório Nacional do Novo diz que o rito de expulsão de Sabará seguiu os prazos e procedimentos previstos no estatuto da legenda. “O Diretório Nacional reitera sua confiança nas decisões da CEP, sua transparência com o processo e o respeito à ampla defesa do denunciado”, relata o comunicado.

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A denúncia de incongruências no currículo de Sabará à comissão de ética foi protocolada pelo deputado estadual Daniel José, líder da bancada do Novo na Assembleia Legislativa de São Paulo. O primeiro ponto levantado por José é sobre uma graduação em relações internacionais na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) que Sabará anunciou que fez. A instituição afirmou ao Estadão que Sabará nunca fez o curso

Sabará também contaria como graduação um curso de dois anos como tecnólogo em Marketing, o que, segundo o parlamentar que fez a denúncia, não foi confirmado. Ao ser questionado sobre isso na sabatina, Sabará disse ontem que José é “um deputado fraco”. 

Além dos problemas no currículo, Sabará foi alvo de uma representação interna por ter dito, em um programa de rádio, que Paulo Maluf foi o melhor prefeito de São Paulo. Ao falar sobre o assunto na sabatina, Sabará disse que estava falando das obras construídas durante a gestão Maluf. 

Um dia depois, após receber críticas pela declaração, pediu desculpas. A candidatura de Sabará também foi contestada por parte dos candidatos a vereador pelo Novo. Um grupo de WhatsApp intitulado “Tentando Salvar o Novo” e criado ainda na fase de pré-campanha fez críticas a declarações de Sabará em defesa do presidente Jair Bolsonaro

O diretório Nacional do Novo foi procurado, mas não enviou resposta até a publicação deste texto.

Assista à integra da sabatina de Sabará ao ‘Estadão’

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