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Comissão da Verdade se debruça sobre operação

Criação de grupo de trabalho específico a respeito de atuação conjunta dos governos militares da América Latina foi publicada ontem no 'Diário Oficial'

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h20

A Comissão da Verdade vai investigar a participação do Brasil na Operação Condor. Em resolução publicada ontem no Diário Oficial da União, a comissão anunciou a criação de um grupo para atuar com órgãos de informação e contrainformação dos países da América Latina que estiveram envolvidos no sistema unificado de repressão, sequestro e mortes montado por governos militares em Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.

Segundo informações da comissão, as circunstâncias da morte do ex-presidente João Goulart vão ser investigadas pelo Grupo de Trabalho da Operação Condor. Oficialmente, Jango - o presidente deposto pelo golpe militar de 1964 - morreu de ataque cardíaco no município argentino de Mercedes (Corrientes), em 6 de dezembro de 1976. Familiares e políticos suspeitam, porém, que Jango foi assassinado por agentes da Condor.

Em janeiro de 2008, o jornal Folha de S.Paulo publicou depoimento do ex-agente do serviço de inteligência uruguaio Mario Neira Barreiro. Ele disse que Jango foi envenenado por ordem de Sérgio Fleury, do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo. Fleury foi um dos principais agentes da repressão. Morreu afogado, em maio de 1979, em circunstâncias estranhas, pois era tido como bom nadador. Em 2009 a revista Carta Capital publicou documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI) que reforçaram a tese do envenenamento.

Informações obtidas pela família de Jango confirmam que os passos do ex-presidente eram monitorados no Uruguai.

De acordo com a resolução publicada no Diário Oficial, o objetivo do grupo de trabalho é "esclarecer fatos, circunstâncias e autorias de casos de graves violações de direitos humanos, como torturas, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres", relacionados à operação. Além disso, deve "identificar e tornar públicos estruturas, locais, instituições e circunstâncias de violações de direitos humanos", além de examinar acervos referentes ao tema, mesmo que situados no exterior.

A resolução da comissão, cujos trabalhos começaram no ano passado, esclarece ainda que "a participação no Grupo de Trabalho será considerada prestação de serviço público relevante, não remunerado".

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