Comissão da Verdade reabre apuração sobre morte de educador

Colegiado assinou um termo com a Comissão de Memória e Verdade para investigar a morte de Anísio Teixeira, da UnB

O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h02

A Comissão Nacional da Verdade vai reabrir as investigações sobre a morte do educador Anísio Teixeira, ocorrida em 1971, no Rio. O primeiro passo nessa direção foi dado ontem, em Brasília, com a assinatura de um termo de cooperação com a Comissão de Memória e Verdade Anísio Teixeira, da Universidade Nacional de Brasília (UnB).

O corpo do educador foi encontrado no fosso do elevador do prédio onde morava seu amigo Aurélio Buarque de Holanda, que ele pretendia visitar, para pedir seu voto na eleição para uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL). De acordo com a versão oficial, a morte teria sido acidental. Desde os primeiros momentos do desaparecimento do educador, porém, surgiram suspeitas de assassinato.

Os direitos políticos de Teixeira, que foi reitor da UnB, haviam sido cassados em 1964, logo após o golpe militar. Segundo seu filho, Carlos Teixeira, que participou do encontro ontem em Brasília, a família nunca descartou a hipótese de crime político.

Ele recordou que um dos motivos das dúvidas foi a posição em que o corpo foi encontrado. Quase sentado, não condizia com a hipótese de uma queda. A suspeita é a de que o educador tenha sido assassinado e depois levado para o fosso do elevador.

"Esperamos que a Comissão da Verdade, por meio de caminhos mais abertos para ter acesso a informações que não tivemos, consiga chegar a algum resultado", afirmou.

Segundo o sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, um dos sete integrantes da comissão nacional, a principal parte do esforço para esclarecer a morte do educador caberá à comissão da UnB. "Nós vamos colaborar com a abertura de arquivos e a convocação de pessoas para depoimentos", esclareceu.

O caso de Teixeira é um dos mais emblemáticos do período ditatorial, segundo o integrante da comissão. Também estão sendo investigadas pelo grupo as mortes dos ex-presidentes João Goulart e Juscelino Kubitschek e do embaixador José Jobim. Ocorridos no período militar, em todos esses episódios pairam dúvidas sobre as suas circunstâncias reais.

"Não temos nenhum poder de tribunal, mas podemos ajudar a esclarecer a verdade", disse Pinheiro. / R.A.

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