Comissão da Verdade de SP inicia trabalhos

Sob a presidência de um ex-preso político, o deputado Adriano Diogo (PT), será realizada hoje na Assembleia Legislativa de São Paulo a primeira sessão da Comissão Estadual da Verdade. A sessão, com início previsto para as 19 horas, será dedicada a Rubens Paiva, deputado federal que teve o mandato cassado pela ditadura militar em 1964 e, desde 1971, faz parte da lista dos mortos e desaparecidos políticos.

ROLDÃO ARRUDA, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2012 | 03h04

O deputado também dará nome à comissão. Segundo Diogo, a escolha se deve a dois fatores. Primeiro, porque ele é paulista; segundo, porque o foco dos trabalhos da comissão será a investigação de casos de mortos e desaparecidos por razões políticas nos anos do regime militar.

A comissão estadual foi criada por meio de acordo de líderes da Assembleia em dezembro. Ela começa a funcionar antes da Comissão Nacional da Verdade, aprovada em outubro, após ter sido discutida durante mais de dois anos no Congresso. A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei em novembro, mas até agora não nomeou os sete integrantes que devem dar andamento aos trabalhos.

De maneira informal, o Palácio do Planalto chegou a sugerir que a comissão paulista não fosse instalada antes da nacional. Mas acabou prevalecendo a pressão de entidades de direitos humanos, que veem no início do trabalho em São Paulo uma forma de pressionar Dilma.

Em São Paulo, a comissão será composta por cinco parlamentares, sob a presidência de Diogo, que foi o autor do projeto de lei. O relator será o deputado André Soares (DEM), ligado a grupos evangélicos. Ele é filho do missionário Romildo Ribeiro Soares, principal líder da denominação religiosa Igreja Internacional da Graça de Deus.

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