Começa em Minas júri de executores da Chacina de Unaí

Três réus são acusados de atentado que matou três fiscais do Trabalho e motorista em 2004, no interior do Estado

Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2013 | 02h07

BELO HORIZONTE - Mais de nove anos depois, os acusados de envolvimento na chamada Chacina de Unaí começam a ser julgados hoje pelo Tribunal do Júri Federal, em Belo Horizonte. Ao todo são oito réus no processo - os primeiros a serem julgados serão Rogério Alan Rocha Rios, William Gomes de Miranda e Erinaldo de Vasconcelos Silva, que estão presos acusados de serem os executores de três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho e Emprego.

Os demais acusados, incluindo Norberto Mânica - um dos maiores produtores de feijão do País -, devem ser julgados, também por júri popular, a partir de 17 de setembro. O único cujo julgamento não está definido é o ex-prefeito de Unaí Antério Mânica. Ele perdeu o foro privilegiado ao deixar o cargo e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou que o processo voltasse à primeira instância. Até ontem, porém, seu nome não havia sido incluído na pauta do júri marcado para o mês que vem. O Ministério Público Federal (MPF) informou que espera sua inclusão no julgamento.

Os auditores fiscais Nélson José da Silva, João Batista Soares Lage, Eratóstenes de Almeida Gonsalves e o motorista Aílton Pereira de Oliveira foram executados quando fiscalizavam produtores rurais no noroeste de Minas, em 2004. O grupo já havia recebido ameaças por causa das autuações contra os fazendeiros. A investigação do crime mobilizou uma força-tarefa com policiais civis e federais, promotores e procuradores de Justiça e da República.

Poder político. Apontados como mandantes das execuções, os Mânicas chegaram a ficar presos, mas foram soltos por ordem da Justiça. Outro réu no processo, Francisco Elder Pinheiro, que também chegou a ser preso, morreu no início do ano. Mesmo na cadeia, Antério Mânica - cotado para disputar uma vaga de deputado estadual em 2014 - venceu a eleição de 2004 para a prefeitura de Unaí pelo PSDB com quase 73% dos votos válidos e foi reeleito em 2008.

O advogado de Antério, Marcelo Leonardo, afirmou que pretende acompanhar o júri que terá início hoje. Para o defensor, ainda não é possível definir se seria vantajoso para o ex-prefeito ser julgado com os demais acusados ou não. "São diversas variáveis para se avaliar", observou. O Estado não localizou os demais advogados envolvidos no processo.

Cronologia

28 de janeiro de 2004

Os quatro servidores do Ministério do Trabalho são mortos em emboscada numa estrada de terra na zona rural de Unaí. Uma força-tarefa é criada para investigar o crime

25 de julho de 2004

A Justiça acata pedido do Ministério Público Federal e decreta a prisão de oito pessoas.

20 de setembro de 2004

O Ministério Público Federdal faz um aditamento à denúncia para incluir Antério Mânica entre os acusados

5 de outubro de 2004

Eleito prefeito de Unaí pelo PSDB mesmo estando atrás das grades, Antério Mânica é solto da prisão por ordem da Justiça Federal

2012

O Supremo Tribunal Federal nega os últimos recursos possíveis e determina que o processo retorne à Justiça Federal em Belo Horizonte

27 de fevereiro de 2013

O processo contra Antério retorna à capital pelo fato de ele ter perdido o foro privilegiado ao deixar a prefeitura

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