Com voto aberto, Câmara decide se cassa Donadon

Deputado preso manteve o mandato em agosto do ano passado, em votação secreta; aposta agora é de maioria pela cassação

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2014 | 02h02

A Câmara decidirá novamente hoje se mantém em seus quadros um deputado condenado e preso. Absolvido pelos pares em 28 de agosto do ano passado, Natan Donadon (sem partido-RO) será novamente julgado, agora por quebra de decoro parlamentar, em uma "segunda chance" para a Câmara reduzir o desgaste de sua imagem.

O novo processo tem como expoentes deputados que faltaram à primeira sessão e contribuíram para que não se alcançasse o número de 257 votos necessários para cassar Donadon. Na ocasião, em decisão secreta, faltaram 24 votos. Agora, o voto será aberto e a aposta na Casa é por uma maioria ampla pela cassação.

Donadon cumpre pena de 13 anos, 4 meses e 10 dias por peculato e formação de quadrilha e está preso desde junho do ano passado por desvios na Assembleia Legislativa de Rondônia.

O líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), é o autor da representação. Na noite em que Donadon foi absolvido, Albuquerque estava na Feira Literária de Passo Fundo (RS).

Relator do processo, o deputado José Carlos Araújo (PSB-BA) é outro que não estava presente. Ele afirma que tinha declarado voto pela cassação naquela ocasião e que não pôde ficar devido a outro compromisso que não poderia ser adiado.

No novo processo, seu parecer, aprovado pelo Conselho de Ética, diz ter convicção de que a manutenção de uma pessoa presa nos quadros da Câmara ofende o decoro parlamentar. "Agora ele será cassado. A Casa não vai repetir o erro."

O pedido da defesa de Donadon, para que a sessão de hoje fosse também realizada com voto secreto, foi negado. Ele poderá se defender na tribuna da Câmara.

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