Com vitória de João Henrique, Geddel consolida liderança na BA

Resultado tende a estremecer a aliança estadual entre o PMDB e o PT, que juntos derrotaram o DEM

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo,

26 de outubro de 2008 | 20h39

Desta vez, não houve surpresas em Salvador (BA). Ao contrário do que ocorre na Bahia desde a eleição de Jaques Wagner (PT) para governador em 2006, os votos confirmaram as pesquisas de intenção e o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) foi reeleito. Às 20h30 (de Brasília), com 99,36% das urnas apuradas, Carneiro tinha 58,44% dos votos válidos, contra 41,56% de Walter Pinheiro (PT). Chamou a atenção apenas a quantidade de abstenções: 19,72% dos eleitores soteropolitanos não apareceram para votar.   Veja também: João Henrique, do PMDB, é reeleito prefeito de Salvador  Geografia do voto: desempenho dos partidos no País   Cobertura completa das eleições 2008   Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos   Perfil dos candidatos de Salvador      O resultado ratifica o status do ministro da Integração Nacional, o peemedebista Geddel Vieira Lima, como maior líder político no Estado, e tende a estremecer a aliança estadual entre seu partido e o PT. Os dois tornaram-se aliados para derrotar a supremacia do então PFL no governo do Estado, em 2006, mas trocaram fortes ataques durante a campanha municipal. Com o resultado das urnas, que deram ao PMDB o controle de 114 dos 418 municípios baianos, o ministro mostra cacife político para disputar a administração estadual com Wagner - posição que, apesar de oficialmente ainda combatida, mostra força entre os integrantes da legenda.   Mais do que isso: a candidatura de Carneiro recebeu o apoio do Democratas, que reúne os antigos integrantes do PFL, em uma aliança costurada por Geddel, adversário político histórico do senador Antonio Carlos Magalhães, morto ano passado. O apoio pode ser ampliado, segundo lideranças do DEM no Estado.   Hoje, por exemplo, o deputado ACM Neto (DEM), que ficou em terceiro no primeiro turno, com 26% dos votos, voltou a confirmar a hipótese. "Assim como fizemos uma aliança com o PMDB no segundo turno de Salvador, podemos traçar esse caminho para 2010, tanto nas eleições estaduais quanto presidenciais", disse o deputado, líder de seu partido na Câmara, enquanto acompanhava Carneiro. "Sempre defendi que o ideal é que a gente tenha candidato próprio, mas estaremos abertos a conversas". No caso da eleição presidencial, porém, Neto admitiu que seu partido deve a apoiar o governador paulista, José Serra (PSDB).   O eventual rompimento entre PMDB e PT no Estado, porém, não deve ser imediato, segundo as lideranças dos partidos. As falas, porém, ainda são carregadas de ressentimentos. "Claro que não fiquei satisfeito, nem concordo, com a forma como meu governo e meu partido foram atacados", afirma o governador Wagner. "Mas passada a campanha, vamos voltar a conversar."   Geddel também admite que "ficam mágoas de ambas as partes", mas tenta minimizar o impacto dos ataques. "Eles fazem parte do calor do momento, mas tenho certeza que o governador, como líder político, vai saber a hora de chamar o PMDB para a conversa". Enquanto isso, o candidato eleito ainda se mostra bastante abalado com os fatos da campanha. "Eles estiveram comigo na administração, saíram (há meio ano) e passaram a cuspir no prato que comeram", comentou. "Eu teria um comportamento mais ético. Isso é ingratidão."

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