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Com queda de Aécio, petistas tentam se reaproximar do setor agrícola

‘Ninguém muda de uma hora para a outra’, afirma coordenador do plano de Dilma para agricultura, referindo-se a Marina

Nivaldo Souza e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2014 | 21h54

O novo cenário eleitoral deflagrou na campanha da presidente Dilma Rousseff uma operação para reaproximar a petista do agronegócio. O setor caminhava majoritariamente para apoiar Aécio Neves (PSDB) mas, diante de sua queda nas pesquisas, agora se divide entre Dilma e Marina Silva (PSB). 


A ala agrícola do comitê de campanha de Dilma iniciou nos últimos dias essa ofensiva. Tem ventilado entre os produtores rurais que Marina defendeu posturas duras contra a biotecnologia e Código Florestal, dois temas relevantes para a produtividade. Os interlocutores de Dilma têm falado ao agronegócio que Marina está flexibilizando seu discurso, mas que dificilmente irá cumpri-lo. “Ninguém muda de uma hora para a outra e as posições dela são conhecidas”, diz o coordenador do programa de governo de Dilma para agricultura, o ex-ministro Odacir Klein. 

O esforço petista, contudo, não tem sido bem recebido por setores do agronegócio. “Durante a campanha todo mundo fica bonzinho. Marina tem um comportamento passado que não diz isso (defesa do agronegócio), mas entre ela e Dilma a maior parte do setor vai contra o PT”, afirma o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Normando Corral. 

O dirigente avalia que o fato de Marina poder chegar à Presidência sem uma base expressiva no Congresso pode fazer com que medidas contrárias ao agronegócio sejam derrubadas pelo Legislativo, onde a bancada ruralista é expressiva. “Como o partido dela parece não ter um projeto de poder nem tem tanta gente para ocupar espaço, acho que o Congresso pode barrar tentativa dela que possa causar algum estrago.” 

Nesse sentido, há uma divisão do setor. A presidente e candidata à reeleição atrai mais apoio entre os grandes produtores de soja, cuja interlocução é liderada pelo senador Blairo Maggi (PR-MT). Mas entre os pecuaristas e produtores de cana e etanol, segmentos que inclinados a apoiar Aécio, Marina já começa a atrair simpatias. “Acho que a Marina fez uma aproximação inteligente de um nicho totalmente abandonado pelo atual governo e agradou”, afirma o empresário Maurilio Biagi Filho, tido na área sucroenergética como um dos “pais” do biocombustível. Ele avalia que Aécio era o candidato preferido, mas “despencou”. 

Jantar. Biagi foi um dos 60 convidados de um jantar promovido por empresários da cana com Marina na semana passada, depois que ela participou de uma feira do setor no interior de São Paulo. O discurso de defesa do etanol pela candidata caiu no gosto do setor, um dos mais irritados com Dilma - a manutenção do preço da gasolina tem tirado competitividade do biocombustível. “O pessoal saiu (do jantar) satisfeito, porque ela fez declarações positivas”, conta um dos comensais. 

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