João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h05

O governador Eduardo Campos, presidente do PSB, não confirmou presença no evento de dez anos do PT no poder, agendado para quarta-feira, no Anhembi, com a presença da presidente Dilma Rousseff. "Se o evento virar um ato de desagravo a mensaleiros, ele não vai", diz um interlocutor. Em 2011, Campos chamou a atenção porque era o único representante de partidos aliados presente na festa do PT. Se for, será o primeiro encontro público com Lula desde a ruptura na eleição do Recife. Pelo PMDB, está escalado o presidente de direito, senador Waldir Raupp (RO), mas o de fato, Michel Temer, não descartou de todo a a sua participação.

Com o PIB

Campos é presença confirmada, porém, no 26.º Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, no dia 9 de abril, quando terá a oportunidade de falar como candidato para 6 mil empresários, na companhia da blogueira cubana Yoani Sanchez e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Portos

Apesar de poderosas resistências, o governo não abre mão de dois pontos que considera fundamentais na Medida Provisória dos Portos: a liberação de novos terminais privativos sem a exigência de carga própria e a licitação de terminais públicos arrendados à iniciativa privada antes de 1993. Principal militante contra a proposta, o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), admite não ter votos para derrubar a MP, mas prepara uma paralisação nacional dos portos no dia da votação.

Largada

O PSDB prepara o lançamento da candidatura do senador e Aécio Neves (MG). A meta é elegê-lo presidente nacional da sigla na Convenção Nacional de maio. O ex-presidente Fernando Henrique vai aos principais eventos até lá, entre eles, as eleições dos diretórios estaduais.

A possibilidade de concorrer à presidência da República, em 2014, anunciada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), inverteu a lógica segundo a qual governos evitam a precipitação do processo sucessório.

O movimento do governador pôs a presidente Dilma Rousseff nas ruas, dividindo-se entre os desafios administrativos de 2013, determinantes para a preservação de seu capital eleitoral, e a busca pela consolidação das alianças políticas indispensáveis ao seu projeto de reeleição.

Campos, ao contrário, é refém de duas condicionantes vitais ao seu propósito - o insucesso do governo na gestão da economia e a circunstância sensível de uma candidatura aliada e concorrente ao mesmo tempo. Assim, encontrou na personagem de crítico leal o espaço por onde transita o candidato.

A reação da presidente de antecipar-se a ações eleitorais mais efetivas do governador a mantém com as rédeas do processo, facilitada pela atitude abúlica do PSDB, cujo candidato Aécio Neves permanece virtual, tolhido pela divisão interna de seu partido.

Resguardada as cautelas com a dissimulação inerente ao jogo político, o PT e o governo se mostram mais incomodados com o potencial de Eduardo Campos do que com o PSDB, provavelmente porque a consolidação do primeiro torne praticamente certo um segundo turno.

O que revelaria a convicção não manifestada de que a aprovação continuada de dois governos petistas desidratou a força eleitoral do PSDB, que já não teria assegurados, como único concorrente, os 40% históricos do eleitorado.

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