Beto Barata/AE
Beto Barata/AE

Com novos nomes, PT busca se renovar nas eleições

Cidades consideradas estratégicas como São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto serão o palco dessa experiência

Guilherme Walteberg, de Agência Estado

26 de julho de 2012 | 16h08

O PT está em busca de renovação. Para isso, aposta firmemente no lançamento de candidaturas novas nas eleições municipais deste ano. Para atingir essa meta, cidades consideradas estratégicas como São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto serão o palco dessa experiência que, segundo o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Antonio Carvalho Teixeira, é uma necessidade para "o partido permanecer competitivo". As novas caras do PT, no entanto, enfrentam um desafio comum: tornarem-se conhecidas do eleitor. Em contrapartida, têm a vantagem de registrar pouca rejeição devido a essa falta de conhecimento público.

É o caso do candidato petista em São Paulo, Fernando Haddad. Por mais que tenha 7% das intenções de votos, de acordo com a última pesquisa Datafolha, sua rejeição ficou em 12%. Pouco mais da metade do eleitorado afirma conhecer Haddad. Seu principal adversário, o candidato do PSDB, José Serra, ex-prefeito e ex-governador, é conhecido por 99% dos eleitores, registrou 30% das intenções de votos, mas sua rejeição chegou aos 37%. O tucano já foi prefeito da capital paulista e governador do Estado.

Em Campinas, o PT lançou a candidatura de Márcio Pochmann, que nunca concorreu a cargos eletivos. Ele atribuiu o lançamento da candidatura de um estreante a um "novo contexto" social, criado durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "Os quadros foram constituídos ao longo dos últimos 30 anos. Vivemos um movimento diferente com a emergência de novos segmentos (sociais). O perfil dos filiados (atual) é muito diferente dos criados na década de 80. É um partido que está buscando a renovação enquanto está no auge", defende o petista.

Pochmann, que já presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ainda é pouco conhecido da população e afirma que esse está sendo "o maior desafio" de sua vida. Apesar de ainda estar se apresentando ao eleitorado como candidato, ele ressalta: "Tenho espaço para crescer."

Em Ribeirão Preto, o ex-juiz João Gandini também concorre à sua primeira eleição. Gandini afirma que, por ser juiz, é conhecido do público. "Meu desafio é mostrar que agora sou candidato", conta. Na opinião dele, o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e televisão será um marco divisor da campanha. "Horário de TV será o início da campanha", afirma. Um de seus principais cabos eleitorais será o ex-presidente Lula, com quem terá sessão de fotos para a campanha.

Em Araraquara, terra do presidente estadual do PT, Edinho Silva, a candidata Márcia Lia já foi vereadora por um mandato e diz inspirar-se em Dilma Rousseff. "Vivemos um momento em que as pessoas estão cansadas da política, dos mesmos, o efeito Dilma foi extremamente positivo, uma mulher austera, firme, competente, e as pessoas prezam esses predicados. Renovação é a palavra de ordem. Acho que é positivo para mim, não carrego rejeição, não sou vidraça, quem vem de uma administração, sempre agrada uns e desagrada outros. Minha rejeição é não ser (muito) conhecida. Tenho um espaço para crescer muito bom", diz.

Reciclagem. O professor Carvalho Teixeira analisa que o escândalo do mensalão, suposta compra de votos de parlamentares pelo PT tornada pública em 2005 durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, "afetou as principais lideranças do PT no Estado de São Paulo". Para ele, isso criou uma "nova conjuntura", na qual "para o partido se manter competitivo, tem que renovar". Ele aponta a vitória de Dilma Rousseff para a Presidência como um caso de sucesso dessa estratégia petista.

"A questão da Dilma é um investimento político interessante que responde a uma conjuntura, senão (o PT) corre risco de ir se asfixiando com o tempo, vejo isso sobretudo como um desgaste sofrido (pelos escândalos de corrupção). Os principais quadros são aqueles dos anos 1980. Dirceu, Genoíno, que não tem mais pretensões político-eleitorais. Esse processo é parte da estratégia de reciclar o partido e recuperar fôlego eleitoral."

O professor lembra que o PT já administrou e participou da administração das principais cidades do Estado, como São Paulo, Ribeirão Preto e Campinas e busca retomar esse capital político. "Em Ribeirão, o (Antônio) Palocci foi envolvido no mensalão, teve a questão de Campinas (casos de corrupção na Prefeitura que tinha o PT na vice), e o próprio Celso Daniel (ex-prefeito de Santo André que foi assassinado). Essas questões pressionaram o partido a lançar novos nomes", afirma.

O próprio PT tomou providências no quarto congresso do partido, realizado no fim do ano passado. Na ocasião, foi determinado que nenhum candidato da legenda poderia ser reeleito para o mesmo cargo por mais de três mandatos consecutivos.

Marta. No caso específico de São Paulo, Carvalho Teixeira aponta a renovação de quadros como uma necessidade. "A rejeição da senadora Marta (Suplicy, ex-prefeita da Capital entre 2001 e 2005) é muito alta, por mais que ela tenha um ponto de partida alto, não sei se manteria os índices na campanha", argumenta. Em pesquisa Datafolha, divulgada no dia 1º de setembro do ano passado, a rejeição da senadora era da ordem de 30%.

Apesar de já ter administrado prefeituras estratégicas no Estado, Carvalho Teixeira afirma que o PT nunca teve "viabilidade política para (concorrer) ao governo do Estado (de São Paulo)", há cerca de 20 anos nas mãos dos tucanos e apontado como um dos principais objetivos do PT.

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