Ed. Ferreira/Estadão
Ed. Ferreira/Estadão

Com medo de desgaste, PT e PSDB adiam plano

Comitês de Dilma Rousseff e Aécio Neves acreditam que documento escrito pode expor seus candidatos

Débora Bergamasco e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2014 | 03h00

BRASÍLIA - As polêmicas em torno do programa de governo da candidata do PSB ao Planalto, Marina Silva, fizeram seus adversários reavaliarem a conveniência de lançarem seus planos no mesmo modelo, com um grande caderno que assuma, por escrito, os compromisso de campanha.

A avaliação é a de que Marina entrou em uma agenda negativa após o lançamento de seu texto, em 29 de agosto. Virou alvo de ataques em razão das erratas que teve de divulgar - a principal delas retirava do plano causas caras ao movimento gay. 


A campanha da presidente Dilma Rousseff adotou a estratégia de não publicar um documento semelhante e de “dosar” na TV a apresentação das suas propostas. A avaliação do comitê é de que apresentar neste momento um texto justificando as políticas dotadas nos últimos anos e apresentando um plano para os próximo mandato poderia dar munição aos adversários e abrir um flanco sobre o qual eles se debruçariam pelos próximos 20 dias. 

Dilma deve se encarregar de assumir compromissos pontuais, a exemplo do que fez quando defendeu a criminalização da homofobia. Ela mesma já disse recentemente que não haverá a divulgação de uma redação unificada de seu programa de governo, que nas palavras dela “será moderno e estará na televisão”. 

Setoriais sem data. Desde o início do processo eleitoral, a campanha de Dilma trabalha em 25 textos setoriais que embasarão a defesa das políticas adotadas nos governos do PT e também para as promessas que serão apresentadas. 

Aliados que participam dessa montagem não dão data para a sua divulgação. A ideia é trabalhar para não haver brechas para os adversários. 

Na campanha do tucano Aécio Neves a avaliação é semelhante. O programa de governo ainda não foi apresentado por questões estratégicas de marketing. Entre tucanos próximos ao candidato, uma frase virou consenso: programa de governo hoje tem potencial mínimo de angariar votos e chances máximas de fazer perder eleitor. 

A avaliação é de que apresentar a proposta agora é expor o candidato à linha de tiro de seus adversários, tal qual ocorreu com Marina. 

Na campanha de Aécio, os chefes dos grupos de estudos de todas as áreas como econômica, social, de educação, saúde, segurança, etc, já concluíram suas tarefas e enviaram as sugestões ao coordenador do programa de governo Arnaldo Madeira e também a Antonio Anastasia, que deixou oficialmente a função, mas continua ajudando no tema. Elas ainda não passaram pela análise final do presidenciável, que é quem dará a palavra final. Oficialmente, as ideias ainda estão sendo buriladas. Na prática, elas só irão à público no momento em que os marqueteiros avaliarem que correrão menos riscos de gerar desgaste ao candidato do PSDB. Será levado em conta, por exemplo, o comportamento de Aécio nas pesquisas de intenção de voto. Ele vai precisar se recuperar antes para só depois se “arriscar”. Existe uma expectativa de que o programa seja lançado na semana que vem, a duas semanas da eleição. Mas esse prazo tem sido adiado há ao menos 15 dias. 

Programa a caneta. Questionado ontem em São Paulo sobre quando vai lançar seu programa de governo, Aécio disse que o documento ainda está sendo preparado. “Fique tranquilo. Nosso plano de governo não será feito a lápis. Ele será feito a caneta e ele reproduz exatamente aquilo que nós pregamos e praticamos ao longo da nossa vida”, disse, fazendo uma crítica indireta às erratas do programa de Marina.

Diante da insistência dos jornalistas em querer saber quando exatamente o plano ficará pronto, o candidato disse: “Certamente antes da eleição”. / COLABOROU VALMAR HUPSEL

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