Com Lula, Padilha aumenta ataques a Alckmin e Skaf na TV

Quatro dias após o ex-presidente reclamar da estratégia da campanha petista no Estado, propaganda exalta partido, diz que PSDB representa '20 anos de promessas não cumpridas' e define adversário do PMDB como 'salto no escuro'

Valmar Hupsel Filho e Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2014 | 15h13

Atualizada às 21h30

Quatro dias depois de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamar da condução da estratégia de campanha de Alexandre Padilha, a propaganda do candidato do PT ao governo de São Paulo aumentou o tom do discurso e partiu para ataques diretos aos adversários. No programa exibido na noite desta segunda-feira, 8, a campanha petista cita promessas não cumpridas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tenta a reeleição, e pergunta: “Dá para confiar no Alckmin?” 

Na sexta-feira passada, 5, Lula reclamou para dirigentes petistas do tom adotado pela campanha em São Paulo. Na opinião do ex-presidente, Padilha deve adotar ser mais incisivo nas críticas contra adversários para aumentar suas intenções de votos. “Quem está fazendo a campanha que o PT deveria fazer é o Paulo Skaf (PMDB)”, disse ele, segundo relato do senador Humberto Costa (PT), conforme mostrou o Estado na sexta. 

Entre agosto e setembro, Skaf diminuiu a vantagem de Alckmin adotando a postura do enfrentamento. O peemedebista chegou a dizer que o governador não tem “tesão” para governar. Neste período, aumentou suas intenções de votos de 11% para 23%, enquanto o governador passou de 50% para 47%. Em terceiro lugar, Padilha fazia críticas indiretas ao governador e obedecia ao “pacto de não agressão” com relação a Skaf. Nos mesmos dois meses, o petista cresceu apenas dois pontos porcentuais e tem 7%. Os números são da pesquisa Ibope divulgada na sexta passada. 

Na propaganda petista exibida no início da tarde, a campanha petista definiu o PSDB do governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, como o “partido de promessas não cumpridas” e disse que a escolha por Paulo Skaf (PMDB) é “um salto no escuro”. Os ataques diretos aos adversários foram narrados por um locutor, ao apresentar as opções dos eleitores paulistas nestas eleições. “Escolher entre o partido de promessas não cumpridas em 20 anos de governo. Dar um salto no escuro com um candidato que sempre representou os mais ricos ou votar no Padilha, o candidato do partido que mais fez pelo povo de São Paulo”, disse. 

No programa desta segunda-feira foi a primeira vez que Padilha exibiu imagens dos adversários e seus apoiadores. Em fotos em preto e branco, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra aparecem atrás de Alckmin. O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e o ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho aparecem na retaguarda de Skaf. Padilha aparece em foto colorida, com Lula e Dilma em segundo plano.

Lula. O programa exibe ainda trechos do discurso de Lula em plenária para petistas, na sexta, em São Paulo, quando o ex-presidente convocou a militância a participar mais ativamente da campanha. Lula ocupou 1min47s dos 4min22s a que a coligação tem direito, destacando as ações sociais do PT e os investimentos federais no Estado.

“Vamos comparar o que a Dilma colocou de dinheiro neste Estado, nestes quatro anos, com o que o Fernando Henrique Cardoso colocou em oito anos quando o PSDB governava São Paulo também? Vamos saber para ver quem é que colocou mais dinheiro aqui”, disse ele, enumerando obras no Estado que receberam recursos federais, como construção de linhas de metrô, de moradias e postos de saúde.

A propaganda também mostrou Padilha no mesmo evento, no trecho do discurso em que ele afirma que Alckmin e Skaf disputam quem “governou pior” o Estado. “Eles estão brigando entre quem fez o maior programa de privatização da máquina pública do Estado de São Paulo com aquele que, quando assumiu o Sesi, passou a cobrar taxa e mensalidade dos pais dos alunos”, disse.

Até a semana passada, a propaganda definia como “coisa feia” a troca de agressões entre o tucano e Skaf e afirmava que o espaço da propaganda política na TV seria usado para mostrar os projetos do partido para governar São Paulo./ COLABOROU FLAVIA GUERRA

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