O Estado de S.Paulo

18 de março de 2012 | 03h09

Desde que Antonio Palocci deixou a Casa Civil em junho, na esteira de um escândalo sobre enriquecimento suspeito, no Palácio do Planalto o exercício da política tornou-se mínimo. Os contatos com os parlamentares foram mantidos pela ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), mas o resultado tem sido insatisfatório, segundo relatos dos parlamentares. E a ministra coleciona vários desafetos por ter resolvido adotar uma linha dura nos contatos com os parlamentares.

À exceção de dois casos, o governo venceu todas as votações, mais pela quase inexistência da oposição do que por um empenho sério do Palácio do Planalto em aprovar seus projetos. Uma das derrotas foi a da emenda ao Código Florestal que anistiava desmatadores; a outra, a rejeição de Bernardo Figueiredo para a direção da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), uma indicação pessoal da presidente Dilma Rousseff.

As informações de líderes aliados e de auxiliares da presidente dão conta de que Dilma se reúne durante horas com seus ministros para tratar de detalhes técnicos de projetos - muitos dos quais ela manda que sejam refeitos integralmente. Mas não fala de política.

A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), que substituiu Palocci, não tem tempo para tratar das negociações com o Congresso. Faz até 15 reuniões setoriais por dia. Volta para casa frouxa de tanto trabalhar, lá pelas 22 horas. No dia seguinte, está no Planalto antes das 9 horas. E a todo momento é chamada pela presidente, tendo de interromper o que está fazendo.

Palocci recebia os dirigentes dos partidos, anotava o que pediam, guardava listas de indicados para cargos nas estatais e no segundo escalão e pedia paciência. Toda vez que era cobrado por algum aliado, dizia com muita calma: "Espera. A presidente Dilma não é o Lula. Quando apresento um nome, uma lista, ela quer saber detalhes disto, por que o partido quer tal cargo. Com a Dilma é preciso conversar duas, três vezes, até convencê-la de que dá para sair a nomeação".

Com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o tratamento aos políticos aliados era de primeira classe. Muitos iam a Lula reclamar de nomeações. Conversavam, conversavam e saíam de mão abanando. Mas deixavam o gabinete presidencial contentes. Valia mais a deferência do que o atendimento ao pleito.

Dilma, pelo contrário, não recebe ninguém. O máximo que concede é um almoço ou jantar com a bancada de um partido, quando fala com todos e não com pessoas isoladas ou pequenos grupos. Os políticos se sentem desprestigiados por parte dela. Dizem entre si que gostariam de ser melhor tratados.

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