Com Lula, Dilma nega divergência em relação a CPI

Ex-presidente volta a Brasília após encerrar tratamento contra câncer e diz que investigação vai fazer revelações 'surpreendentes'

VERA ROSA, TÂNIA MONTEIRO, RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h07

Mesmo depois de escancaradas suas diferenças com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à conveniência da CPI do Cachoeira e à escolha do relator da comissão, a presidente Dilma Rousseff negou ontem que tenha divergências com o padrinho político. Ao lado de Lula, que desembarcou ontem em Brasília para conversar com a herdeira em meio ao tiroteio da CPI, Dilma procurou encerrar o assunto.

"Não tem diferença entre nós. Nunca vai ter", disse a presidente, em tom taxativo. Bem-humorado, Lula afirmara, antes, que tinha diferença, sim, com sua sucessora. "É que ela pode fazer mais, fazer melhor. Se continuar assim, ela vai chegar a 87% no próximo mês", emendou, numa referência à popularidade de Dilma.

Os dois fizeram os comentários depois de assistirem à sessão de estreia do documentário Pela Primeira Vez, no Museu Nacional. Dirigido por Ricardo Stuckert, o filme de 32 minutos mostra o último dia de Lula no Planalto e a passagem da faixa presidencial para Dilma.

Na plateia estavam réus do processo do mensalão, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, e o ex-deputado José Genoino. Também estavam o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) - suspeito de envolvimento com o contraventor Carlos Cachoeira.

Bem antes do cinema, Lula almoçou com Dilma e um seleto grupo de petistas no Palácio da Alvorada. A conversa durou quatro horas. O ex-presidente queria que o relator da CPI fosse o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), mas Dilma escolheu Odair Cunha (PT-MG). Na avaliação da presidente, Vaccarezza negocia demais e não seria capaz de blindar o Planalto.

"Uma CPI assim, com tanta gente inexperiente, faz a gente ter saudade do nosso tempo", disse um dos comensais. O aliado PMDB, que não teve assento no almoço de ontem, pôs na CPI parlamentares sem qualquer traquejo em investigações.

Lula e Dilma concordaram, durante o almoço, que o ex-diretor do Dnit Luiz Antônio Pagot está descontrolado e pode causar problemas. A presidente teme, ainda, que a CPI paralise as votações no Congresso. Apesar da preocupação, Lula disse que as investigações trarão à tona revelações que beneficiarão o PT e o Planalto. "Vocês vão se surpreender com o que essa CPI vai revelar", afirmou Lula.

Para o ex-presidente, além de desmontar a "farsa do mensalão", as apurações mostrarão que nunca houve escuta telefônica no gabinete do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em 2008.

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