Com Lula, Campos descarta Planalto 'nesse momento'

A fim de aparar arestas, presidente do PSB se reúne com petistas, ainda céticos em relação aos planos do governador

VERA ROSA, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2012 | 03h06

Dois meses e meio após o rompimento da aliança entre o PT e o PSB em capitais importantes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, fizeram um gesto de aproximação. Convidado para um almoço da campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo, Campos gravou mensagem de apoio para o petista usar no programa de TV e disse não planejar, nesse momento, ser candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de 2014.

"Esse pode ser o desejo de alguns, mas não é o meu. Não nesse momento", afirmou Campos, presidente do PSB. O encontro que selou a trégua entre os dois partidos ocorreu no Centro de Tradições Nordestinas, ligado ao PTN, partido da coligação de Celso Russomanno (PRB).

Haddad aproveitou a reunião para pedir votos aos eleitores que um dia antes tinham visto Russomanno passar por ali. Cumprimentou homens e mulheres, carregou crianças no colo e posou para fotos, ao lado de ministros do governo Dilma. "Foi um evento importante para celebrarmos a aliança política do PT com o PSB", resumiu. Mesmo depois de a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) ter desistido da vice na chapa de Haddad, contrariada com a dobradinha com Paulo Maluf (PP-SP), os socialistas continuam na coligação.

Posição estratégica. No almoço, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), sentou-se em local estratégico, entre Campos e o candidato do PT à prefeitura do Recife, Humberto Costa, diante de Lula, da ex-primeira-dama Marisa Letícia e da ministra da Cultura, Marta Suplicy. O petista e o governador quase não se falam desde que o PSB se divorciou do PT no Recife e decidiu lançar a candidatura de Geraldo Júlio, líder das pesquisas de intenção de voto.

"Está tudo tranquilo", minimizou Costa. Lula ainda não foi ao Recife para não criar mais atritos com Campos, mas ontem cedeu e reservou o dia 26 para subir no no palanque petista no Recife.

Enquanto os convivas degustavam carne de sol, galinha caipira e bobó de camarão, Lula fazia articulações políticas, na tentativa de acabar com as rusgas. A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), não escondeu, porém, que duvida das reais intenções do PSB de Campos em 2014. Embora o governador diga que apoiará a provável candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição, petistas avaliam que os movimentos dele indicam a montagem de sua própria candidatura.

"Precisamos ficar de olho. Será que o PSB está sem comando ou existe um comando por trás das disputas com o PT em Fortaleza, Recife e Belo Horizonte, sinalizando para 2014?", perguntou Luizianne. Na capital do Ceará, o PSB e o PT vivem às turras.

Jaques Wagner tentou jogar água na fervura e disse que divergências são "inevitáveis" em época de campanha. "Se o PSB decidir o caminho dele, tem todo o direito de segui-lo. Nós temos aliados. Não temos eunucos."

O presidente do PT, Rui Falcão, também adotou tom mais ameno em relação ao PSB. "Não existem arestas", insistiu. "Esperamos manter a parceria nacional em 2014."

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