Com Índia e China, economia deverá somar 40% do PIB mundial em 2050

Segundo relatório, Brasil e os 2 países produzirão até lá o dobro do G7 e tendem a ser motor de desenvolvimento do Sul

AMANDA ROSSI / ESTADÃO DADOS, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2013 | 02h44

As economias de Brasil, China e Índia somadas devem ultrapassar em 2020 o grupo formado por Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá - representantes do G7, que reúne as maiores economias desenvolvidas do mundo. As projeções fazem parte do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2013, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Em 1950, o balanço de forças era outro: os três emergentes representavam 10% do PIB global, enquanto as seis nações desenvolvidas respondiam por 50%. A partir da inversão de curvas prevista para 2020, a tendência é que Brasil, China e Índia deixem o G7 cada vez mais para trás - a crise na Europa deve contribuir para a queda. Em 2050, os três juntos devem chegar a 40% do PIB global. O valor representa o dobro do estimado para os países desenvolvidos.

Esse movimento representaria a "ascensão do Sul", que dá nome ao relatório deste ano. Além de apresentar os novos números do IDH para 2013, a publicação faz uma longa análise da recomposição de forças econômicas entre o chamado Sul global, que compreende as nações emergentes e em desenvolvimento, e o Norte, representado pelos países desenvolvidos. O tom é de elogio aos modelos de desenvolvimento de China, Índia e Brasil.

Além de responder por uma fatia cada vez mais robusta da economia global, o Sul apresenta uma parcela cada vez mais expressiva do mercado consumidor. Em 1990, ele abrigava três entre dez pessoas de classe média do mundo. Em 2010, já eram seis. A expectativa do Pnud é de que o número passe para oito entre dez em 2030. Os países do Sul também estariam mais bem preparados para atender a esse mercado, porque já teriam desenvolvido tecnologias e produtos direcionados a ele.

Rapidez. O otimismo da agência da ONU com relação ao Sul também se reflete na esfera social. Segundo a publicação, nunca antes o crescimento de rendimentos da população se deu de forma tão rápida e atingiu tantas pessoas. Enquanto a Grã-Bretanha levou 150 anos para dobrar os rendimentos da população, os EUA precisaram de 50 anos e China e Índia, somente 20. "O crescimento do Sul não tem precedentes em velocidade e escala."

O relatório também faz uma série de recomendações para acomodar um Sul mais forte. Entre elas, a reforma de organismos internacionais para aumentar a presença de países como Brasil, China e Índia. "Muitas das atuais instituições e princípios de governança internacional foram desenhados em um mundo muito diferente do atual. Uma consequência é que eles sub-representam o Sul", diz o texto. "Para sobreviver, as instituições internacionais precisam ser mais representativas". A postura vai ao encontro de interesses do Brasil, que tenta conseguir um assento no Conselho de Segurança da ONU.

Por outro lado, o Pnud defende que as grandes economias do Sul contribuam com a resolução de problemas de nações menos desenvolvidas. "O Sul está em uma posição de influenciar e até remodelar velhos modos de desenvolvimento com mais recursos e lições aprendidas em casa."

O que está em jogo é o aumento dos recursos fornecidos sobretudo pelos três maiores emergentes para o desenvolvimento de países pobres na África, Ásia e América Latina, na chamada cooperação Sul-Sul. Além de atuarem em projetos que transferem conhecimento e tecnologia, eles fornecem créditos a exportação e constroem infraestruturas. É o caso do Brasil. Desde 2008, o País forneceu por meio do BNDES cerca de R$ 16 bilhões em créditos de exportação para países do Sul e gastou R$ 3,2 bilhões com cooperação entre 2005 e 2009.

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